Mais da metade da população rural na América Latina e no Caribe vive na pobreza, diz ONU

Lacunas em relação ao trabalho decente e entidades trabalhistas fracas explicam em parte a pobreza contínua nessas áreas, afirmaram duas agências, OIT e FAO.

A diminuição da pobreza durante a última década (2002-2011) tem sido mais lenta nas zonais rurais. Foto: FAO Guatemala

A diminuição da pobreza durante a última década (2002-2011) tem sido mais lenta nas zonais rurais. Foto: FAO Guatemala

Um boletim lançado nesta quarta-feira (25) por duas agências da ONU afirmou que mais da metade da população rural na América Latina e no Caribe vive na pobreza. Apesar do bom desempenho econômico na região, o declínio da pobreza na última década (2002-2011) tem sido mais lento nas áreas rurais, onde caiu de 62% para 49%, do que nas urbanas, que caiu de 38% a 24%.

O boletim, intitulado Políticas de Mercado de Trabalho e Pobreza Rural N°1, foi produzido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em geral, essa pobreza está associada à existência de pequenos agricultores com baixa produtividade e pela má distribuição de terras. Apesar do fato de que na maioria dos países a incidência da pobreza é mais elevada entre os trabalhadores independentes, em vários deles a maior parte dos pobres rurais são assalariados. Na Bolívia, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Peru, mais de metade dos trabalhadores rurais que trabalham em empresas privadas são pobres.

Segundo o informe, as lacunas relevantes em relação ao trabalho decente e entidades trabalhistas fracas explicam, em parte, a continuidade da pobreza em áreas rurais da região.

De acordo com as agências da ONU, a percentagem de trabalhadores rurais que não têm contrato formal pode ser superior a 80% em alguns países da região, enquanto muitos deles não recebem sequer o salário mínimo exigido por lei.

Os principais desafios para melhorar os padrões laborais rurais e pelo trabalho decente são: aumentar os níveis de formalização dos postos de trabalho, melhorar a aplicação do salário mínimo, bem como avançar em direção à erradicação do trabalho infantil e o emprego das mulheres.