Maioria dos empreendedores jovens da América Latina é de autônomos precarizados, diz ONU

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Na América Latina, 20% dos jovens de 15 a 29 anos que participam do mercado de trabalho são consideradores empreendedores, mas apenas 2% são empregadores. A maioria trabalha por conta própria e enfrenta condições laborais precárias, semelhantes às dos assalariados informais. Cenário é tema de relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Na América Latina, empreendedores jovens são em sua maioria profissionais que trabalham por conta própria e não, empregadores. Foto: Start-Up Brasil

Na América Latina, empreendedores jovens são em sua maioria profissionais que trabalham por conta própria e não, empregadores. Foto: Start-Up Brasil

Na América Latina, cerca de um quinto dos jovens de 15 a 29 anos que participam do mercado de trabalho podem ser considerados empreendedores, mas a maior parte desse grupo — 18,6% — é de indivíduos que trabalham por conta própria e enfrentam geralmente condições laborais precárias. Apenas 2% são empregadores, a maioria em suas pequenas empresas.

Os números são de um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que alertam para os vínculos entre empreendedorismo e precarização entre os mais novos.

Em alguns países, mais da metade dos jovens que trabalham por conta própria têm renda inferior ao mínimo estabelecido pela linha da pobreza do Banco Mundial — de quatro dólares por dia. É o caso de Estados como Colômbia — 68,4% dos trabalhadores de 15 a 29 anos abaixo do patamar do organismo financeiro —, Paraguai (58,5%), Equador (56,4%) e Peru (53%).

Em termos de renda, a conjuntura desses autônomos é análoga ao dos que recorrem a empregos informais, sobretudo em países como México, Argentina, Guatemala e também o Brasil — onde 64,5% dos assalariados não regulamentados vivem na miséria, segundo o parâmetro do Banco Mundial.

Apesar das especificidades de cada regime de trabalho, a OIT e o PNUD consideram que tanto os que trabalham por conta própria, quanto os assalariados informais enfrentam vulnerabilidades parecidas e possibilidades limitadas de aumentar sua renda ao longo do tempo, de se capacitar e de se tornar um empregador ou profissional assalariado.

No documento, as agências da ONU lembram que, dos 156 milhões de jovens da América Latina e Caribe, 39% vivem na pobreza e 20% dos que têm entre 15 e 24 anos não estudam nem trabalham. Ao final de 2015, o desemprego juvenil foi calculado em 15,7% — taxa três vezes maior do que a desocupação entre os adultos — e a previsão é de que o índice chegue a 17,1% no próximo ano.

Disparidades entre empreendedores

Considerandos todas as faixas etárias, a América Latina registra um índice de empreendedorismo maior do que outras partes do mundo. Em 2015, duas a cada dez pessoas diziam ter iniciado uma atividade empreendedora nos últimos 42 meses, segundo os organismos das Nações Unidas.

Ao mesmo tempo, a região concentra uma proporção maior de indivíduos que tentam se tornar os próprios patrões por necessidade. Esse é caso de 30% dos empreendedores latino-americanos. O Brasil registra um índice acima da média regional — 42,9%.

Quando comparadas categorias de empreendedores jovens — autônomos e empregadores —, a OIT e o PNUD revelam que os profissionais em regime de autonomia são mais numerosos entre os 20% mais pobres de todas as nações do que entre os 20% mais ricos. A situação se inverte em uma análise da renda dos contratantes.

No Brasil, a participação dos empregadores mais novos na fatia mais rica — calculada em 3,6% — é aproximadamente nove vezes maior do que a sua presença na quinta parte mais pobre da sociedade.

O nível de escolaridade também varia entre autônomos e empregadores jovens, sendo estes últimos os mais qualificados em toda a América Latina. No Brasil, e também na República Dominicana, Guatemala e Paraguai, empregadores têm três anos mais em sua formação profissional.

As agências da ONU avaliam o recurso ao empreendedorismo entre os jovens como “uma forma de enfrentar a falta de oportunidades de emprego e as más condições de trabalho e de gerar renda de uma maneira relativamente rápida”.

Iniciativas brasileiras

Ao identificar projetos de governos e ONGs para promover o empreendedorismo dos jovens, o relatório cita o programa Start-Up Brasil, fruto de uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações brasileiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e empresas de tecnologia e aceleradoras, como a IBM.

Estas companhias privadas funcionam como sócios estratégicos da iniciativa, que presta assessoria a empreendedores para estimular a inovação tecnológica e produtiva, a penetração no mercado nacional e também a internacionalização dos negócios.

Cada projeto selecionado recebe um financiamento de até 200 mil dólares em bolsas de pesquisa e desenvolvimento profissional, recursos financeiros da aceleradoras, acesso a serviços de infraestrutura e capacitação, bem como acompanhamento dos gestores do programa.

O documento dá destaque ainda para o Portal Empresa Simples, que agiliza a abertura de negócios, facilitar a liberação de crédito e fornece uma plataforma para o trâmite de questões judiciais.

Acesse o relatório na íntegra aqui.


Mais notícias de:

Comente

comentários