Macron pede boicote comercial a países fora do Acordo de Paris

Em discurso nesta terça-feira (25) na Assembleia Geral da ONU, o presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que países não assinem mais “acordos comerciais com as potências que não respeitam o Acordo de Paris”.

O chefe do Estado francês fez duras críticas ao avanço do unilateralismo no mundo e também ao que descreveu como “a lei do mais forte”.

Presidente da França, Emmanuel Macron, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Cia Pak

Presidente da França, Emmanuel Macron, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Cia Pak

Em discurso nesta terça-feira (25) durante o primeiro dia do debate da Assembleia Geral da ONU, o presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que países não assinem mais “acordos comerciais com as potências que não respeitam o Acordo de Paris”. O marco internacional visa combater as mudanças climáticas e limitar o aquecimento global a 2º C até o fim do século. Em 2017, os Estados Unidos anunciaram sua saída do tratado.

O chefe do Estado francês fez duras críticas ao avanço do unilateralismo no mundo e também ao que descreveu como “a lei do mais forte”. Esse modelo de ação frente às diferentes crises globais, explicou Macron, “nos conduz diretamente ao fechamento (sobre si mesmo) e ao conflito, à confrontação generalizada de todos contra todos”.

Lembrando as atuais tensões comerciais entre os países, o presidente da França disse que “um tratamento bilateral ou um novo protecionismo” não resolverão os desequilíbrios nas trocas entre as nações. A solução são “regras comuns, adaptadas à realidade de hoje e que permitam garantir condições de concorrência leais, iguais”, defendeu Macron.

Nascida de uma esperança,
a ONU pode se tornar,
como a Liga das Nações
que a precedeu,
um símbolo de impotência.

O governante propôs o fortalecimento do multilateralismo e dos direitos humanos, que são universais, mas encontram-se ameaçados por relativismos culturais.

Segundo Macron, existe “uma crise de eficácia e de princípios da nossa ordem mundial contemporânea, que não poderá funcionar como antes”. “Nascida de uma esperança, a ONU pode se tornar, como a Liga das Nações que a precedeu, um símbolo de impotência.”

Em sua avaliação, a Organização se vê muitas vezes “reduzida a deplorar as violações dos direitos que ela jurou garantir”. O cenário atual, em sua avaliação, é fruto das escolhas dos próprios chefes de Estado e Governo.

De acordo com o dirigente, episódios de genocídio no passado foram alimentados por discursos que voltam a se popularizar e aos quais a comunidade internacional está se acostumando cada vez mais. “Hoje, estamos vendo se enfraquecer o direito internacional, todas as formas de cooperação, como se tudo isso não valesse nada”, alertou Macron.

“Não aceitemos todas essas formas de unilateralismo. A cada dia, são mais páginas rasgadas, mais traições da nossa história.”


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