Lista de publicações da ONU esclarece contexto de futuro acordo debatido na Cúpula do Clima

Documentos publicados às vésperas da Conferência do Clima em Paris, que começou nesta segunda-feira (30), podem servir de base para acordo universal, que busca reduzir impactos das mudanças climáticas.

Jardim no teto de um edifício em Chicago. Foto: Flickr/PROJoe Wolf (cc)

Jardim no teto de um edifício em Chicago. Foto: Flickr/PROJoe Wolf (cc)

Semanas antes da Conferência do Clima em Paris (COP21), que teve início nesta segunda-feira (30), diferentes agências e programas das Nações Unidas publicaram relatórios sobre impactos do aquecimento global. Os documentos trazem novas preocupações sobre o tema e jogam luz às possíveis formas de preservar o planeta. Chefes de Estado e Governo reunidos em Paris buscam chegar a um consenso sobre um novo acordo mundial, que limitará o aquecimento global em 2ºC.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que a emissão de gases estufa na atmosfera alcançou novo recorde em 2014, estimulando mudanças climáticas e transformando o planeta em um lugar mais perigoso e inóspito para as futuras gerações. Posteriormente, a agência alertou que 2015 poderá novamente quebrar este recorde, , ultrapassando o marco de 1ºC acima dos valores médios de temperatura global da era pré- industrial (entre 1880 e 1899).

O Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) revelou que nos últimos 20 anos, 90% dos maiores desastres foram causados por 6.457 inundações, tempestades, ondas de calor, secas e outros eventos relacionados ao clima .

Segundo relatório publicado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), desastres naturais estimulados por mudanças climáticas têm aumentado em frequência e gravidade nas últimas três décadas. Isso intensifica os danos causados para os setores agrícolas em países em desenvolvimento, colocando estes Estados sob risco de insegurança alimentar.

Já o Programa Mundial de Alimentos (PMA) enfatizou que, sem uma “ação ambiciosa” para se dirigir às causas e consequências das mudanças climáticas, a fome não poderá ser erradicada. Durante a Conferência do Clima em Paris, a agência lança o Food Security Climate Resilience (FoodSECuRE) Facility – o projeto é uma nova ferramenta que ajuda a dar resposta a desastres climáticos antes que eles aconteçam, se baseando em previsões do tempo.

O Banco Mundial, às vésperas da COP21, afirmou que um desenvolvimento que utilize soluções climáticas inteligentes pode manter 100 milhões de pessoas fora da pobreza. As pessoas mais pobres são as mais expostas às perturbações do clima, se comparadas à população em média, segundo a agência. Para mitigar este cenário, o plano de 16 bilhões de dólares para estimular a resiliência climática na África, enfatizando o impacto das atividades climáticas no continente.

Preocupado com o futuro das crianças, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destacou as consequências das mudanças climáticas sobre esta população: mais de meio bilhão vive em áreas com alta ocorrência de inundações e 160 milhões estão em áreas de intensas secas.

Apontando que até 65% da superfície terrestre pertence, é ocupada ou gerenciada por povos indígenas e comunidades locais, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) expressou preocupação ao notar que essa questão não estava presente nos planos de combate às mudanças climáticas da Conferência do Clima. Com isso, o órgão da ONU elaborou as Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas (INDCs), que formarão a base de acordo esperada para a COP21.

Além disso, o papel da energia nuclear foi destacado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sendo apontada como a fonte energética que menos emite gás carbônico, muitos países acreditam que ela possa ser uma solução para garantir o abastecimento de energia, ao mesmo tempo em que contribui para o controle de emissões de gases estufa.

Já a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) apresentou o Ação Climática Agora, na Alemanha, como um guia de soluções, revelando uma série de oportunidades existentes para avançar imediatamente na redução das emissões de gases estufa.

Ainda de acordo com um documento publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a implementação das Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas dos países irá limitar as emissões de gases estufa até 2030. O Programa, no entanto, destaca que o novo acordo climático deve estimular uma ação mais ampla para impedir que a temperatura global aumente mais de 2 ºC até 2100.