Líderes mundiais devem colocar tecnologia ‘a serviço dos pobres’, defende papa Francisco

Em Roma, na sede da FAO, o Papa Francisco pediu avanços nesta quinta-feira (14) no uso da inovação e empreendedorismo para erradicar a má nutrição no mundo e transformar comunidades rurais. O pontífice, porém, alertou que “as novas tecnologias não devem ir contra as culturas locais e o conhecimento tradicional”. Ao contrário, defendeu o chefe da Santa Sé, devem ser complementares a saberes e práticas locais.

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Em Roma, o papa Francisco pediu avanços nesta quinta-feira (14) no uso da inovação e empreendedorismo para erradicar a má nutrição no mundo e transformar comunidades rurais. O pontífice, porém, alertou que “as novas tecnologias não devem ir contra as culturas locais e o conhecimento tradicional”. Ao contrário, defendeu o chefe da Santa Sé, devem ser complementares a saberes e práticas locais.

Em pronunciamento na cerimônia de abertura do 42º Conselho Diretivo do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), um organismo da ONU, Francisco disse que o mundo “deve colocar a tecnologia verdadeiramente a serviço dos pobres”.

Segundo o Papa, pessoas que vivem com fome e na miséria precisam da ajuda de uma “ciência com consciência”.

O pontífice também encorajou uma maior colaboração global na luta contra a fome.

“Hoje, mais do que nunca, temos de unir forças, alcançar o consenso, fortalecer nossos laços. Os atuais desafios são tão intricados e complexos que não podemos confrontá-los ocasionalmente, com resoluções de emergência”, alertou Francisco durante o evento, realizado na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), na capital italiana.

O chefe da Igreja Católica também pediu que os afetados pela pobreza e pela fome estejam diretamente envolvidos em processos decisórios, “de modo que essas pessoas possam ser os arquitetos responsáveis de sua própria produção e progresso”.

“Eu gostaria que nós olhássemos para os seus rostos (dos pobres e de quem vive com fome) sem se envergonhar porque suas súplicas foram ouvidas”, enfatizou Francisco.

“Temos que assegurar que cada pessoa, em cada comunidade, esteja na posição de explorar plenamente o seu potencial, para viver uma vida humana digna desse nome.”

O representante máximo do Vaticano destacou ainda a importância do desenvolvimento rural e o papel essencial desempenhado pelo FIDA no cumprimento dos dois primeiros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Nações Unidas (ODS) — acabar com a fome e a pobreza no mundo.

Papa Francisco chega à sede da FAO, acompanhado pelo chefe do FIDA, Gilbert Houngbo, à sua esquerda. Foto: FIDA

Papa Francisco chega à sede da FAO, acompanhado pelo chefe do FIDA, Gilbert Houngbo, à esquerda. Foto: FIDA

O presidente do FIDA, Gilbert Houngbo, lembrou que “as taxas de pobreza extrema e insegurança alimentar permanecem persistentemente altas”. “O progresso que nós reivindicamos uma vez em reduzir a fome estagnou-se. Hoje, quase 821 milhões de pessoas sofrem de subnutrição crônica, 37 milhões a mais do que em 2014”, alertou o chefe do organismo internacional.

Diante desse cenário, o dirigente pediu que todas as autoridades presentes invistam mais no desenvolvimento rural, a fim de prevenir crises futuras de fome, miséria e migração.

Também na cerimônia de abertura, o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, afirmou que a presença do Papa “sempre nos comove, nos inspira e nos fortalece na luta por um mundo mais justo e solidário”.

“A encíclica ‘Laudato si’ nos ensina a importância de ter um equilíbrio entre os seres humanos e a natureza, para garantir o futuro sustentável do nosso planeta. A luta contra os impactos das mudanças climáticas, contra as causas da migração forçada e por uma nutrição saudável estão hoje no âmago da FAO”, acrescentou Graziano.

O encontro para abrir o Conselho Diretivo do FIDA também teve a presença do primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, e do presidente da República Dominicana, Danilo Medina Sanchez.

Conte agradeceu a todos os funcionários das três agências da ONU baseadas em Roma que trabalham no terreno, frequentemente em situações difíceis. Além do FIDA e da FAO, a capital italiana é também a sede do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

O primeiro-ministro disse ainda que a Itália tem orgulho de sediar esses três organismos, que formam “um polo claro para a segurança alimentar e a agricultura sustentável no mundo”.


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