Líderes do Pacífico pedem à comunidade internacional que restrinja o aquecimento global a 1,5º C

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Para os representantes de nove nações insulares, o restante do mundo precisa aumentar a ambição dos compromissos firmados no âmbito do Acordo de Paris e limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC até 2100. A meta já consta no tratado internacional, mas um levantamento recente revelou que os compromissos voluntários de cada Estado-parte não seriam suficientes para bater o objetivo — ao contrário, promessas são insuficientes e, caso não sejam aprimoradas, abririam margem para uma elevação de 3ºC na temperatura média global.

Vanuatu, no Pacífico. Foto: Vanuatu Helicopters/Andy Martin

Vanuatu, no Pacífico. Foto: Vanuatu Helicopters/Andy Martin

Em declaração conjunta divulgada no último fim de semana (11), líderes de ilhas do Pacífico pediram à comunidade internacional que redobre esforços para conter o aquecimento do planeta — e consequentemente, as mudanças climáticas. Pronunciamento foi feito ao final de um encontro com agências da ONU em Roma. Reunião discutiu o impacto das transformações do clima sobre os sistemas de alimentação dos países do Pacífico.

Para os representantes de nove nações insulares, o restante do mundo precisa aumentar a ambição dos compromissos firmados no âmbito do Acordo de Paris e “limitar o aumento da temperatura (global) a 1,5ºC” até 2100. A meta já consta no tratado internacional, mas um levantamento recente revelou que os compromissos voluntários de cada Estado-parte não seriam suficientes para bater o objetivo — ao contrário, promessas são insuficientes e, caso não sejam aprimoradas, abririam margem para uma elevação de 3ºC na temperatura média global.

Com um aumento de 1,5ºC, será possível diminuir o “impacto adverso sobre os habitats litorâneos e os meios de subsistência de quem depende dos oceanos”, defenderam as lideranças do Pacífico na declaração, publicada às vésperas de sua participação na 23ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP23, em Bonn, na Alemanha.

Presente na reunião na capital italiana, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, ressaltou que as ilhas do Pacífico “estão sofrendo os efeitos das mudanças climáticas que (esses países) não causaram e pelas quais (eles) não são responsáveis.

O chefe do organismo assegurou que a agência da ONU ajudará os países a enfrentar os desafios provocados pelas transformações do clima no campo da nutrição. Uma das frentes de atuação da FAO é a ampliação do cultivo local, uma vez que esses Estados importam cada vez menos alimentos. Atualmente, a FAO mantém projetos-piloto de produção da fruta-pão nas Ilhas Marshall, Samoa e Nauru. Segundo Graziano, a intenção é expandir iniciativas.

A produção local é também um meio de combater a obesidade, que já é um dos principais problemas de nutrição da região do Pacífico. Atualmente, 75% das mortes de adultos no Pacífico são causas por doenças não transmissíveis.

Segundo a agência das Nações Unidas, os países insulares são altamente dependentes dos oceanos para garantir o sustento de suas comunidades. Por isso, é importante o cumprimento do Acordo da FAO de Medidas dos Estados para os Portos, “a principal ferramenta com a qual a comunidade internacional conta para combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada”.

“Os seus países são os com mais água e recursos naturais a serem preservados do que qualquer outra região. A FAO se compromete a ajudá-los a implementar (o Acordo) e a avaliá-lo. Podemos fornecer assistência em suas legislações nacionais, capacitação e fundos para pô-lo em andamento. Não podemos preservar nossos ecossistemas marinhos se não combatermos a pesca ilegal”, completou Graziano.


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