Líderes do Caribe criticam ceticismo sobre as mudanças climáticas e pedem recursos para prevenir desastres

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Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit, criticou no sábado (23) aqueles que insistem em negar as mudanças climáticas. Como prova de que se trata de um fenômeno verdadeiro e em curso, o chefe de Estado lembrou a devastação deixada pelos furacões Irma e Maria em seu país. Território atingido pela tempestade foi descrito como “zona de guerra”. Posicionamento do dirigente foi semelhante ao de outros líderes do Caribe.

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Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit, criticou no sábado (23) aqueles que insistem em negar as mudanças climáticas. Como prova de que se trata de um fenômeno verdadeiro e em curso, o chefe de Estado lembrou a devastação deixada pelos furacões Irma e Maria em seu país. Território atingido pela tempestade foi descrito como “zona de guerra”. Posicionamento do dirigente foi semelhante ao de outros líderes do Caribe.

“Eu venho até vocês direto da linha de frente da guerra contra as mudanças climáticas”, afirmou Skerrit. “A Dominica veio para declarar uma emergência humanitária internacional.”

O primeiro-ministro defendeu que, com o aquecimento do ar e dos oceanos, o clima entre os trópicos de Câncer e Capricórnio foi permanentemente modificado. Segundo o representante do país caribenho, o calor tem tornado as tempestades mais violentas, atribuindo-lhes uma “força devastadora”.

Lideranças pedem assistência para o desenvolvimento

A temporada de furacões no Caribe foi tema do pronunciamento de outras lideranças regionais. Entre os discursos, outro ponto em comum: um apelo por novos parâmetros para a liberação de recursos sob a forma de assistência para o desenvolvimento.

O ministro das Relações Exteriores de Trinidad e Tobago, Dennis Moses, lamentou também no sábado (23) que, por conta de um método “ultrapassado”, que calcula a riqueza em função do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, países caribenhos foram reclassificados e não poderão receber assistência para ajuda ou desenvolvimento de organismos internacionais.

“Os eventos dos últimos meses no Caribe nos lembram, mais uma vez, que os pequenos Estados insulares em desenvolvimento continuam na linha de frente do impacto das mudanças climáticas”, disse.

Já o ministro das Relações Exteriores das Bahamas, Darren Allen Henfield, ressaltou o ineditismo da escala das últimas tempestades. “Pela primeira vez em sua história, as Bahamas evacuaram comunidades inteiras para quadrantes seguros antes do furacão Irma. O que virá em seguida? A evacuação em massa de todo o Caribe?”, questionou.

O dirigente também apontou a necessidade de “reavaliar as medidas usadas para determinar o bem-estar econômico” no país, a fim de permitir que as Bahamas recebem assistência para o desenvolvimento.

Também expressando preocupação com o fato de que nações caribenhas estão sendo classificadas como países de renda média, a ministra das Relações Exteriores do Suriname, Yldiz Pollack-Beighle, disse que se soma ao “lamento” geral da região sobre a questão. “A vulnerabilidade desses países (às mudanças climáticas) deveria ser levada em conta quando são aplicadas classificações”, defendeu.

Fazendo coro às críticas, o ministro das Relações Exteriores de São Cristóvão e Névis, Mark Anthony Brantley, disse que “é uma farsa e uma tragédia para a comunidade internacional testemunhar tamanha destruição causada por forças inteiramente fora do controle das nações Caribenhas e, então, recusar a essas nações o acesso aos recursos necessários para a reconstrução”.

O dirigente propôs a criação de um índice de vulnerabilidade às mudanças climáticas, que seria utilizado para avaliar quais países mereceriam a concessão de empréstimos e fundos de desenvolvimento. A ideia também foi sugerida pela Jamaica.

“Isso permitiria às instituições financeiras internacionais e a doadores bilaterais melhorar canalizar recursos técnicos e financeiros para os países mais suscetíveis a perdas e danos causados pelas mudanças climáticas”, afirmou Kamina Johnson Smith, ministra das Relações Exteriores da Jamaica.


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