Liderança e sustentabilidade: Pacto Global da ONU debate governança com Robert Eccles

“Empresas comprometidas com redução dos problemas mundias precisam adotar estratégia sustentável de negócios – e não apenas uma estratégia de sustentabilidade”, afirma professor.

Robert Eccles, em evento organizado pelo Pacto Global, em SP. Foto: Pacto Global/Alessandra Fratus

Robert Eccles, em evento organizado pelo Pacto Global, em SP. Foto: Pacto Global/Alessandra Fratus

Empresas comprometidas com a redução dos problemas mundias precisam adotar uma estratégia sustentável de negócios – e não apenas uma estratégia de sustentabilidade. No longo prazo, o desempenho financeiro das empresas também depende dessa visão inovadora.

As conclusões são de Robert G. Eccles, professor da Harvard Business School, que participou de debate promovido pela Rede Brasileira do Pacto Global, em São Paulo, no dia 9 de abril, para cerca de 80 executivos.

Eccles apresentou um estudo do qual é coautor, desenvolvido em parceria com a London Business School, com a análise comparativa entre 80 empresas de alta performance em sustentabilidade e outras 80 de baixa performance. Ao longo de 18 anos, o primeiro grupo superou significativamente o segundo no mercado de ações e no desempenho de contabilidade. “Essa diferença não aparece rápido, só depois de sete a oito anos”, destacou.

Os resultados também foram melhores no grupo que envolveu diretamente o Conselho de Administração em questões de sustentabilidade, remunerando melhor seus executivos a partir de uma boa performance nessa área. “Esperamos que essas conclusões ajudem a impulsionar uma mudança de postura e governança dentro das organizações”, observou Renata Seabra, secretária-executiva da Rede Brasileira do Pacto Global.

Em painel de discussão moderado por Eccles, a presidente do IBGC, Sandra Guerra, disse que os conselhos de administração devem se capacitar melhor para esses temas. “É preciso coragem para trazer alguns assuntos à mesa, sob o risco de perder o valor do modelo de negócios no longo prazo”, disse.

Engajar as lideranças também foi o desafio apontado por Vivian Mac Knight de Lucena, gerente de Nova Economia e Mudanças Climáticas da Vale. Para o diretor da KeyAssociados, Marco Fujihara, as organizações precisam situar melhor a relação com investidores e aprender a compartilhar o valor gerado pelas ações sustentáveis. Manter esse valor no longo prazo foi outro desafio apontado por Mário Pino, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Braskem.