Líbia: ataque com carro-bomba mata três funcionários da ONU em Bengazi

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou no sábado (10) um ataque com carro-bomba na frente de um shopping na cidade líbia de Bengazi, que matou três funcionários da ONU e deixou outros três feridos. Dezenas de civis também se feriram.

De acordo com comunicado do representante especial da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, os funcionários das Nações Unidas faziam parte da Missão de Apoio da ONU no país, a UNSMIL.

Vista da velha cidade de Bengazi, na Líbia. Foto ONU / Iason Athanasiadis

Vista da velha cidade de Bengazi, na Líbia. Foto ONU / Iason Athanasiadis

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou no sábado (10) um ataque com carro-bomba na frente de um shopping na cidade líbia de Bengazi, que matou três funcionários da ONU e deixou outros três feridos. Dezenas de civis também se feriram.

O Conselho de Segurança convocou uma sessão de emergência em Nova Iorque mais tarde no mesmo dia para discutir os acontecimentos recentes que impactam o país devastado pela guerra.

De acordo com comunicado do representante especial da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, os funcionários das Nações Unidas faziam parte da Missão de Apoio da ONU no país, a UNSMIL.

“Este ataque covarde, que aconteceu em um momento em que líbios estavam fazendo compras em preparação ao Eid al-Adha, serve como outro forte lembrete da necessidade urgente de líbios encerrarem conflitos, colocarem de lado suas diferenças e trabalharem juntos através de diálogo, não da violência”, disse Salamé, que também comanda a UNSMIL. O Eid al-Adha é um importante festival de celebrações para muçulmanos.

Salamé acrescentou que “este ataque não irá nos desencorajar, tampouco irá nos prevenir de realizar nossas tarefas para conseguir paz, estabilidade e prosperidade para a Líbia e para seu povo”.

Em comunicado emitido por seu porta-voz, o secretário-geral da ONU condenou o ataque “nos mais fortes termos”, estendendo suas condolências às famílias afetadas. “Ele pede para autoridades líbias não pouparem esforços para identificar e levar rapidamente os autores deste ataque à justiça”.

“O secretário-geral pede para todas as partes respeitarem a trégua humana durante o Eid al-Adha e retornarem à mesa de negociação para buscar o futuro pacífico que o povo da Líbia merece”, segundo comunicado.

A ONU tenta mediar uma trégua em confrontos que surgiram após uma grande investida em abril nos arredores de Trípoli por forças do Exército Nacional Líbio (LNA) e por forças leais ao Governo do Acordo Nacional, apoiado pela ONU.

O LNA, sediado em Bengazi, não tem conseguido avançar para além dos subúrbios do sul de Trípoli, mas agora controla grandes faixas do leste e do sul da Líbia, sob liderança do comandante Khalifa Haftar. Centenas de civis e combatentes foram mortos no conflito, enquanto mais de 100 mil foram forçados a deixar suas casas.

Enquanto isso, dezenas de milhares cruzaram a fronteira para a Tunísia, buscando segurança.

De acordo com a imprensa internacional, o governo e a LNA haviam aceitado uma proposta da ONU para um cessar-fogo durante o mês sagrado muçulmano do Eid, começando no domingo (11). A UNSMIL emitiu um comunicado no sábado elogiando o acordo “das partes envolvidas com o princípio de trégua humanitária”.

Conselho de Segurança homenageia funcionários mortos

A embaixadora da Polônia na ONU, Joanna Wroneka, disse, em nome do órgão de 15 membros, condenar “nos mais fortes termos o ataque revoltante, mortal e totalmente inaceitável” em Bengazi. A Polônia está na presidência do Conselho durante o mês de agosto.

“Estes bravos funcionários estavam operando sob um mandato dado por este Conselho para fornecer um futuro mais seguro ao povo da Líbia. Nós saudamos o sacrifício, na causa da paz”.

ONU não tem intenção de deixar Líbia

A secretária-geral assistente da ONU para a África, Bintou Keita, informou o Conselho na tarde de sábado (10), em Nova Iorque, que o ataque “serve para destacar o contínuo perigo do terrorismo no país e os limites do controle de segurança na ausência de um governo, um Exército e uma força policial trabalhando em todo o país”.

Ela disse ter confirmado que a violência crônica e a instabilidade estão “criando um vácuo facilmente explorado por elementos radicais que se aproveitam do caos e da violência”. Ela também destacou que o ataque aconteceu em uma área “supostamente totalmente sob controle” do LNA.

“A ONU não tem intenção de se retirar da Líbia”, disse. “No futuro previsível, nosso lugar continua ao lado do povo líbio, como nossos bravos colegas que deram suas vidas hoje”.


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