Libertações em Mianmar são um passo para a liberdade de todos os prisioneiros políticos, afirma relator especial

Em 2008, eram mais 1.900 pessoas detidas, em comparação com menos de 50 hoje. Relator destaca a necessidade de mais liberdade para as pessoas expressarem seus pontos de vista.

Estudantes em Mianmar na volta para casa. Foto: ONU/Kibae Park

Estudantes em Mianmar na volta para casa. Foto: ONU/Kibae Park

O relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos em Mianmar, Tomás Ojea Quintana, saudou nesta quarta-feira (11) a libertação de 44 prisioneiros de consciência no país.

“Hoje foi mais um passo na direção de cumprir a promessa do presidente de libertar todos os prisioneiros políticos até o final do ano. Quando olho para o início do meu mandato em 2008, eu estava me referindo a números de mais de 1.900 pessoas detidas por motivos políticos. É importante reconhecer o significado do progresso que foi feito: hoje nós estamos nos referindo a números de menos de 50”, disse o especialista.

Quintana elogiou o trabalho da comissão de revisão de prisioneiros, criada pelo governo em fevereiro de 2013 para identificar presos políticos restantes e presidida pelo ministro U Soe Thein. Ele reiterou sua esperança de ver o mandato do comitê expandido para monitorar o tratamento dos libertos.

O relator especial acrescentou: “A prática de prender aqueles que expressam suas visões diferentes daquelas do governo foi incorporada durante 50 anos de regime militar. Mover-se para uma cultura de democracia, onde as pessoas são livres para expressarem suas visões, vai levar tempo. As libertações de hoje são um passo nessa direção, mas precisam ser acompanhadas por reformas legislativas.”