Leste Europeu ‘está longe’ de cumprir metas da ONU sobre HIV, alerta especialista

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Em assembleia ministerial em Amsterdã, lideranças de organizações não governamentais alertaram dirigentes da União Europeia e da ONU que a resposta ao HIV no continente tem ignorado usuários de drogas e homens que fazem sexo com homens. Ferenc Bagyinsky, da delegação de ONGs do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), ressaltou que o Leste Europeu “está longe” de cumprir as metas globais de HIV até 2020.

Encontro ministerial de lideranças da União Europeia e representantes da ONU e sociedade civil. Foto: UNAIDS

Encontro ministerial de lideranças da União Europeia e representantes da ONU e sociedade civil. Foto: UNAIDS

Em assembleia ministerial em Amsterdã, em julho (25), lideranças de organizações não governamentais alertaram dirigentes da União Europeia e da ONU que a resposta ao HIV no continente tem ignorado usuários de drogas e homens que fazem sexo com homens. Ferenc Bagyinsky, da delegação de ONGs do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), ressaltou que o Leste Europeu “está longe” de cumprir as metas globais de HIV até 2020. Evento aconteceu durante a 22ª Conferência Global de AIDS, promovida na capital holandesa de 23 a 27 de julho.

Para o especialista, “todos devemos sair de nossas zonas de conforto e chamar a atenção para as comunidades e regiões” mais afetadas pela epidemia. O HIV tem avançado entre homens que fazem sexo com homens na Europa Central e no Sudeste Europeu. No leste do continente, uma das populações mais vulneráveis são os usuários de drogas injetáveis.

“O Leste da UE está longe do 90-90-90”, acrescentou Bagyinsky, em referência aos objetivos do UNAIDS para 2020. As metas preveem que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV conheçam seu estado sorológico, 90% dos indivíduos diagnosticados com o vírus estejam em tratamento antirretroviral e 90% deles estejam com carga viral indetectável.

Avanços e desafios europeus

De acordo com o UNAIDS, o estigma relacionado ao HIV e a criminalização de determinados grupos — como os indivíduos que usam drogas, profissionais do sexo, os homens que fazem sexo com homens e pessoas transexuais — continuam sendo obstáculos para as populações que precisam de tratamento. Na avaliação do programa da ONU, reduzir a discriminação deve ser uma prioridade nos próximos meses e anos para todos os países europeus.

“Os Estados-membros da União Europeia desempenham um papel importante na resposta à AIDS: como doadores, como inovadores e como agentes intermediários do compromisso político. O que a UE faz internacionalmente também precisa ser colocado em prática em casa”, enfatizou o chefe do UNAIDS, Michel Sidibé, durante o encontro ministerial.

O organismo das Nações Unidas ressalta que alguns dos países da UE estão no caminho para alcançar as metas 90-90-90. No encontro na Holanda, anúncios importantes foram feitos pela Alemanha, França e Holanda, que planejam, nos próximos meses, tornar a profilaxia pré-exposição (PrEP) disponível nacionalmente.

Em 2019, o Fundo Global de AIDS, Tuberculose e Malária realizará uma nova reunião em Paris, para angariar contribuições de doadores e repor seu orçamento. De acordo com a ONU, o papel da União Europeia é ainda mais crítico para a iniciativa, à medida que o financiamento internacional tem diminuído.

“A meta de acabar com a AIDS só pode ser coletiva. É por isso que a França é o segundo maior contribuinte histórico do Fundo Global, com uma contribuição de 4,2 bilhões de euros desde 2002. Dentro de nossos próprios países, precisamos garantir acesso abrangente aos serviços de prevenção do HIV”, afirmou a ministra da Saúde e Solidariedade francesa, Agnès Buzyn.

Migrantes negligenciados

Outro problema discutido pelos ministros foi a inclusão de populações migrantes na resposta à epidemia. Representantes do UNAIDS e da sociedade civil defenderam que estrangeiros precisam ter garantido o seu direito à saúde, a fim de serem protegidos contra uma vulnerabilidade maior ao HIV.

“A Europa está cega em relação às necessidades de saúde de seus migrantes. As preocupações de segurança prevalecem. As políticas restritivas aumentam os riscos. Precisamos de dados independentes sobre a disponibilidade e a acessibilidade do tratamento na UE, geridos pela sociedade civil”, defendeu Marc Biot, da organização Médicos Sem Fronteiras na Bélgica.


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