Legado de Nelson Mandela pode orientar esforços para acabar com o racismo, diz ONU

Organização marcou neste 21 de março o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial. Data lembra massacre de Sharpeville, na África do Sul, em 1960.

Homenagem em Brasília (DF) ao ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Homenagem em Brasília (DF) ao ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Para marcar o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, as Nações Unidas lançaram uma convocação global – especialmente para os líderes políticos, civis e religiosos – destacando a força do legado de Nelson Mandela, que travou uma batalha ao longo de toda a sua vida contra o preconceito e contra as mensagens e ideias baseadas no racismo, na superioridade racial ou no ódio.

Observando que este foi o primeiro ano da data especial sem Mandela, que faleceu no início de dezembro de 2013, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a triste passagem do sul-africano é também um lembrete de luta corajosa de “Madiba” – como era conhecido carinhosamente – contra o apartheid e sua vitória inspiradora sobre as forças racistas que lhe manteve preso por 27 anos.

A Assembleia Geral da ONU, em uma demonstração de solidariedade com o movimento anti-apartheid, estabeleceu este dia para comemorar o massacre de Sharpeville, em 1960, quando 69 pessoas foram mortas e muitas outras feridas após a polícia ter aberto fogo contra um protesto pacífico que pedia o fim de leis discriminatórias na África do Sul .

“O caminho de Nelson Mandela desde a prisão até a presidência foi o triunfo de um indivíduo extraordinário contra as forças do ódio, ignorância e medo – e foi um testemunho do poder da coragem, da reconciliação e do perdão, para superar a injustiça da discriminação racial”, disse o chefe da ONU em sua mensagem.

“Hoje, lembramos Sharpeville como símbolo do impacto terrível da discriminação racial, e honramos aqueles que perderam as suas vidas durante o massacre. Ao mesmo tempo, lembramos que o presidente Mandela utilizou o legado de Sharpeville como uma determinação inabalável para proteger a dignidade e os direitos de todas as pessoas”, acrescentou Ban.

Menino em uma sala de aula na escola administrada pelo Centro Hawa Abdi, na Somália. Foto: ONU/Tobin Jones

Menino em uma sala de aula na escola administrada pelo Centro Hawa Abdi, na Somália. Foto: ONU/Tobin Jones

Com isso em mente, Ban Ki-moon apelou a todas as pessoas, especialmente os líderes políticos, cívicos e religiosos, para condenar fortemente mensagens e ideias baseadas no racismo, na superioridade ou ódio racial, bem como aqueles que incitam o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância correlata.

“Neste dia, reconheçamos que a discriminação racial continua sendo uma ameaça perigosa e vamos nos comprometer para eliminá-la através do diálogo, nos inspirando na capacidade comprovada dos indivíduos de respeitar, proteger e defender a nossa rica diversidade como uma família humana”, declarou.

Em uma forte repreensão do racismo e das atitudes racistas, a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, disse: “A intolerância empobrece o mundo, procurando dividir a humanidade contra ela mesma e minando a força inesgotável que há em nossa diversidade. Igualdade e justiça devem guiar-nos, não importando as circunstâncias”.

Neste momento de profunda transformação social e mudança global, afirmou Bokova, “podemos obter forças das experiências de Nelson Mandela e da sua determinação em superar clivagens, apesar de todos os desafios”.

“Neste dia, devemos lembrar-nos de que o respeito aos outros é essencial para o respeito a nós mesmos e às nossas próprias comunidades e de que a humanidade é uma família única, reunida por aspirações compartilhadas e por um destino comum”, disse Bokova, acrescentando que a paz duradoura só pode ser construída “sobre a igualdade e a dignidade de cada mulher e homem – independentemente de contexto étnico, religioso, de gênero, socioeconômico ou qualquer outro”.

“Respeito e tolerância são atos de libertação, por meio dos quais as diferenças dos outros são reconhecidas como iguais às nossas e as riquezas de outras culturas são tomadas como as riquezas de todos”, conclui a chefe da UNESCO.

Nesta sexta-feira, a UNESCO no Brasil e parceiros lançaram materiais pedagógicos sobre história e cultura africana e afro-brasileira. O objetivo é dar subsídios para a transformação da prática de docentes da educação básica. Lançamento acontece no âmbito do Programa “Brasil-África: Histórias Cruzadas” e da Década Internacional de Afrodescendentes (saiba mais aqui).