Lâmpadas solares distribuídas pelo ACNUR iluminam o futuro de estudantes em Uganda

Agência das Nações Unidas para Refugiados oferece lâmpadas solares recarregáveis para estender o tempo de estudo em locais com pouca ou nenhuma eletricidade.

Moisés Kilumba teve uma infância difícil. Ainda garoto, perdeu seu pai durante uma agitação política e tribal na República Democrática do Congo. Aos 10 anos, juntamente com sua mãe e cinco irmãos, fugiu para o leste, rumo a Uganda, e teve que abandonar a escola por dois anos, já que sua família não podia arcar com seus estudos.

Hoje, superou todas estas dificuldades e se tornou o melhor aluno não apenas do assentamento de refugiados Kyaka II, mas também de todo o distrito de Kyegegwa, localizado a oeste de Kampala, capital de Uganda. Moisés descobriu isso no final de janeiro, quando os resultados do exame nacional de avaliação do ensino primário foram anunciados. “Crescer sem um pai e presenciar o sofrimento de outras pessoas, me motivou a estudar muito”, disse, agora com 15 anos. “Quero ajudar as pessoas desfavorecidas e fazer melhorias para a comunidade no futuro”.

De acordo com os resultados anunciados na avaliação das escolas primárias, as taxas de aprovação entre os estudantes de quatro assentamentos de refugiados no sudoeste de Uganda têm aumentado significativamente nos últimos três anos. Nos assentamentos de NaII Kyaka e Kyangwali, as taxas de aprovação dos refugiados foram maiores do que de suas contrapartes locais. Nos assentamentos Nakivale e Oruchinga, as taxas de aprovação foram as mesmas dentro e fora do campo. Estas melhorias foram o resultado de políticas específicas.

Iniciado em 2010, o Plano Presidencial de Emergencia para Alívio da AIDS, do governo dos Estados Unidos, tem auxiliado crianças refugiadas na Uganda, em grande parte órfãos ou vulneráveis ​​ao HIV/AIDS. Eles recebem apoio para seu sustento e também material escolar, como uniformes, mochilas, livros, materiais de papelaria e outros, além de oportunidades de bolsas de estudo para o ensino secundário.

Nos últimos dois anos, a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) também tem oferecido aos estudantes promissores lâmpadas solares recarregáveis para estender seu tempo de estudo em locais com pouca ou nenhuma eletricidade. Moisés, acostumado a estudar apenas meia hora à noite, foi então capaz de estudar das 3h às 7h, para se preparar para os exames.

Seu colega congolês, Ombeni Nusura, 13, também estava acostumado a estudar sob o luar de Kyaka II. Sua mãe mal conseguia sustentar seus 10 filhos sozinha, e não podia se dar ao luxo de comprar parafina para iluminação noturna. Mas isso mudou com a chegada da luz solar, e Ombeni passou a ter uma dos maiores notas em todo distrito de Kyegegwa.

Seus professores também receberam apoio adicional. Em outubro de 2010, seus salários subiram de 200 mil para 300 mil shillings ugandeses (cerca de 85 a 128 dólares). Isso ajudou a melhorar o desenpenho e dminuir a alta rotatividade de professores. Quinze quartos foram construídos para alojamento desses profissionais, reduzindo o tempo de deslocamento e aumentando suas disponibilidades para os alunos. Rádios “Free Play” foram distribuídos para os professores com melhor avaliação e para comissões de pais e mestres. Na escola primária Sweswe de Kyaka II, o diretor foi eleito o melhor professor e posteriormente auxiliou sua turma de 26 alunos a passar nos exames finais.

Além disso, os pais desempenham um papel crucial. Eles ajudam a pagar pelos exames práticos de seus filhos e preparam a alimentação em marmitas, quando necessário. Juntamente com as lideranças dos refugiados, foram sensibilizados sobre seu papel e responsabilidade na promoção da educação, mobilização e engajamento de mais pessoas.

Para mais informações, clique aqui.