Kofi Annan condena ‘atrocidades’ do governo na Síria e fala em ‘violação de compromisso’

Enviado Especial Conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria condenou hoje (13) veementemente os ataques ocorridos nesta quinta-feira (12), que teriam resultado em mais de 200 mortes. Pelo menos 10 mil pessoas – a maioria civis – foram mortas na Síria, enquanto dezenas de milhares foram deslocadas desde o início do levante contra Assad.

Kofi Annan, Enviado Especial da ONU e da Liga dos Estados Árabes para a Síria, fala com a imprensa em Genebra. (ONU/Jean-Marc Ferré)O Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Estados Árabes para a Síria, Kofi Annan, condenou hoje (13) veementemente os ataques ocorridos nesta quinta-feira (12) em uma vila na província central de Hama, que teriam resultado em mais de 200 mortes. Annan acrescentou que isso viola o compromisso do Governo com o plano de paz de seis pontos.

“Estou chocado e consternado com a notícia que veio da vila de Tremseh, próximo a Hama, sobre intensos combates, baixas significativas e a confirmação de uso de armamento pesado, como artilharia, tanques e helicópteros”, disse Kofi Annan em um comunicado divulgado por seu porta-voz.

“Isto é uma violação do compromisso do Governo [sírio] de cessar o uso de armas pesadas em centros populacionais e seu comprometimento com o plano de seis pontos.”

O Plano de Seis Pontos de Kofi Annan pede o fim da violência, o acesso de agências humanitárias para o fornecimento de apoio à população civil, a libertação dos detidos, o início de um diálogo político inclusivo e livre acesso ao país para a mídia internacional.

Segundo relatos da imprensa, a aldeia foi bombardeada por helicópteros e tanques e, em seguida, invadida por milicianos que realizaram assassinatos por encomenda. As vítimas eram em sua maioria civis e, se confirmado, este seria o pior incidente de violência desde o início do conflito, há 16 meses.

“Condeno essas atrocidades nos termos mais fortes possíveis. É mais um lembrete do pesadelo e dos horrores aos quais os civis sírios estão sendo submetidos”, disse Kofi Annan. “É extremamente urgente que essa violência e brutalidade cessem, e é mais importante do que nunca que os governos com influência a exerçam de forma mais eficaz para garantir que a violência termine imediatamente.”

A ONU estima que mais de 10 mil pessoas – a maioria civis – foram mortas na Síria, enquanto dezenas de milhares foram deslocadas desde o início do levante contra o presidente Bashar Al-Assad, no ano passado.

Observadores da ONU continuam no país

Observadores da ONU na Síria confirmaram o uso de unidades mecanizadas, fogo indireto, bem como helicópteros em Tremseh ontem (12), disse o Chefe da Missão de Supervisão da ONU na Síria (UNSMIS), o General Robert Mood. “A partir da nossa presença na província de Hama, podemos verificar um combate contínuo ontem na área”, disse Mood a jornalistas em Damasco, acrescentando que a UNSMIS “está pronta para entrar e realizar a verificação dos fatos, sobre se e quando há uma cessar-fogo credível.”

Nos termos da Resolução 2043 adotada em abril, o Conselho de Segurança da ONU estabeleceu a UNSMIS – por três meses e com até 300 observadores militares desarmados – para monitorar a cessação da violência na Síria, bem como acompanhar e apoiar a implementação integral do plano de seis pontos. Em meados de junho, a UNSMIS suspendeu suas atividades de monitoramento devido a uma escalada de violência.

O General Mood ressaltou que, apesar da obstrução das tarefas da Missão devido à violência, os observadores da ONU estão envolvidos com as partes em várias províncias e facilitando diálogos locais. O mandato de três meses de UNSMIS termina em 20 de julho, com a expectativa de que o Conselho de Segurança se reuna antes de decidir sobre o futuro da Missão.