Julgamento do ex-líder do Chade é ‘um marco para a justiça na África’, afirma ONU

O ex-presidente do país será julgado em um tribunal para crimes de guerra por graves violações aos direitos humanos, mais de 25 anos após ter deixado o cargo e fugido para o Senegal.

Desenho de Hissène Habré. Imagem: Wikicommons/Rama (cc)

Desenho de Hissène Habré. Imagem: Wikicommons/Rama (cc)

O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, saudou nesta segunda-feira (20) a abertura do julgamento de Hissène Habré, o ex-presidente do Chade – que é acusado de crimes contra a humanidade -, chamando-a de “um marco para a justiça na África”.

“Foi a notável e incansável busca das vítimas por justiça e a responsabilização pelas violações graves dos direitos humanos cometidas durante o governo de oito anos de Habré, que tornaram possível para este julgamento ocorrer mais de 25 anos depois dele deixar o cargo e encontrar refúgio em Senegal”, disse Zeid em comunicado de imprensa, destacando que o julgamento, diante das Câmaras Africanas Extraordinárias, foi de enorme significado em uma série de maneiras.

Em 22 de agosto de 2012, o Senegal e a União Africana (UA) assinaram um acordo que estabeleceu as Câmaras Extraordinárias Africanas no sistema de justiça senegalês para julgar autores de crimes internacionais cometidos no Chade entre 1982 e 1990 – incluindo genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e tortura.

O chefe de direitos humanos da ONU elogiou o acordo sem precedentes como “um exemplo histórico de liderança regional e vontade de lutar contra a impunidade por crimes internacionais”. E também ressaltou que “isso mostra que os líderes acusados de crimes graves não devem assumir que eles podem escapar da justiça para sempre”.