Judoca da Equipe Olímpica de Refugiados conquista prata no Campeonato Carioca

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Os judocas Popole Misenga e Yolande Mabika — integrantes da Equipe Olímpica de Refugiados da Rio 2016 — mediram forças contra novos adversários no último final de semana. Os dois lutadores, que vieram da República Democrática do Congo e vivem atualmente na capital fluminense, participaram do Campeonato Carioca de Judô, na Arena de Deodoro. Popole levou prata na categoria até 90kg.

Popole Misenga, refugiado congolês e atleta da primeira equipe olímpica de atletas refugiados, mostra orgulhoso sua medalha de prata. Foto: ACNUR/Diogo Félix

Popole Misenga, refugiado congolês e atleta da primeira equipe olímpica de atletas refugiados, mostra orgulhoso sua medalha de prata. Foto: ACNUR/Diogo Félix

Os judocas Popole Misenga e Yolande Mabika — integrantes da Equipe Olímpica de Refugiados da Rio 2016 — mediram forças contra novos adversários no último final de semana. Os dois lutadores, que vieram da República Democrática do Congo e vivem atualmente na capital fluminense, participaram do Campeonato Carioca de Judô, na Arena de Deodoro. Popole levou prata na categoria até 90kg.

O congolês venceu suas duas primeiras lutas preliminares na competição e foi para a final. Na decisão, deixou escapar o ouro por pouco. Um shido (punição) por falta de combatividade no golden score (prorrogação) lhe custou a vitória, mas o sentimento após a luta não era de decepção.

Essa foi a segunda competição de Popole e Yolande após os Jogos Olímpicos do ano passado. Ao final de março de 2017, ambos participaram do Torneio de Abertura, competição do circuito estadual que rende um bronze para Popole.

“Estou muito orgulhoso de ter participado deste campeonato. Comecei o ano com o bronze e agora peguei a prata. Na próxima vou ganhar o ouro”, prometeu o congolês após as lutas do Carioca.

No final de semana passado, Yolande teve a oportunidade de fazer quatro combates, porque a disputa da sua categoria — até 78kg — ocorreu no formato de rodízio, em que todas as atletas inscritas lutam entre si. Embora tenha vencido apenas o último confronto, a judoca olímpica, que havia perdido todas as lutas no Torneio de Abertura, também saiu satisfeita com seu desempenho.

“Sinto que estou melhor”, contou Yolande, que antes disputava a categoria até 70 kg.

“Antes das Olimpíadas, tinha ficado dois anos parada, mas agora estou treinando pesado e pegando ritmo de competição. Foi a primeira vez que lutei na nova categoria, que é um pouco mais difícil porque as judocas são mais fortes. Preciso me exercitar bastante e pegar mais técnica. Esses campeonatos são parte da preparação para as Olimpíadas de 2020. Estou trabalhando para chegar até lá.”

Os congoleses sabem, no entanto, que o caminho até Tóquio é longo, difícil e, sobretudo, incerto. A presença da dupla em qualquer torneio, seja nacional ou internacional, depende de convites, como foi o caso do Campeonato Carioca de Judô, no qual eles tiveram que participar de forma independente.

A refugiada congolesa Yolande Mabika (à direita) enfreta Stephany Brandão. Foto: ACNUR/Diogo Félix

A refugiada congolesa Yolande Mabika (à direita) enfreta Stephany Brandão. Foto: ACNUR/Diogo Félix

“Abrimos uma exceção para que eles disputassem o campeonato como atletas avulsos, como ocorreu com o Time de Refugiados nas Olimpíadas”, explicou Leonardo Lara, vice-presidente da Federação de Judô do estado do Rio de Janeiro.

“A única diferença é que as lutas não contam pontos para nenhuma agremiação, porque eles não são brasileiros e, consequentemente, não estão vinculados a nenhum clube. Essa é uma parceria que temos com o professor Geraldo Bernardes (técnico dos dois judocas). Ele faz um trabalho fantástico, e nós, como Federação, devemos apoiar.”

O próximo torneio do calendário será o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, marcado para os dias 29 e 30 de julho. O convite aos dois judocas refugiados está garantido, mas as medalhas dependerão da continuidade do trabalho duro nos tatames. Se o caminho até Tóquio 2020 passa por esses campeonatos, Popole não quer saber de tranquilidade.

“Estou pegando o espírito de competição. O judoca é como água quente: se você deixa parado, esfria. Agora, sim, estou esquentando!”, afirma o judoca.

Popole e Yolande foram dois dos dez atletas que fizeram história na Rio 2016 por integrar a primeira Equipe Olímpica de Atletas Refugiados; Eles tiveram a oportunidade de representar milhões de deslocados forçados espalhados pelo mundo ao competir sob a bandeira do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Além dos dois judocas congoleses, a equipe foi formada por dois nadadores sírios e seis corredores da África — um da Etiópia e cinco do Sudão do Sul. Todos eles deixaram seus países devido a conflitos, perseguições e violações dos direitos humanos, e encontraram refúgio em países como Alemanha, Bélgica, Brasil, Luxemburgo e Quênia.

Uma das integrantes da equipe, a nadadoras síria Yusra Mardini, foi recentemente nomeada embaixadora da Boa Vontade da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).


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