Jovens venezuelanos capturam em fotos esperança de refugiados e migrantes no Brasil

Mais de 20 jovens venezuelanos vivendo em Boa Vista (RR) tiveram por cinco dias a chance de atuar como fotógrafos, capturando histórias de sua comunidade e compartilhando com o mundo sua dignidade, resiliência e esperança. Veja as fotos e o relato da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Uma família venezuelana no abrigo Nova Canaã em Boa Vista (RR). Foto: ACNUR/Genesis Andreira Lemus Guacaroin

Uma família venezuelana no abrigo Nova Canaã em Boa Vista (RR). Foto: ACNUR/Genesis Andreira Lemus Guacaroin

Deixar a Venezuela não foi uma escolha para milhares de jovens venezuelanos. Fome, falta de medicamentos, perseguição política e a necessidade de cuidar dos seus familiares mais vulneráveis os forçaram a sair de suas casas e colocar seus planos para o futuro em compasso de espera.

Mais de 4 milhões de venezuelanos deixaram o país até agora – o maior deslocamento em massa desde a guerra na Síria –, e 168 mil deles encontraram um novo lar no Brasil.

A jornada é desafiadora. Vivendo nos abrigos temporários de Boa Vista (RR), é difícil para estes jovens encontrar momentos para relaxar e parar de pensar na situação em que se encontram.

Mas, durante cinco dias, no último mês de fevereiro, 21 jovens venezuelanos tiveram a chance de atuar como fotógrafos, capturando histórias da sua comunidade e compartilhando com o mundo sua dignidade, resiliência e esperança.

Todos os participantes da oficina, organizada pela National Geographic com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), são jovens venezuelanos vivendo nos abrigos de Boa Vista. Alguns nunca tinham segurado uma câmera fotográfica nas mãos. Outros, como Santiago Briceño, de 17 anos, sonhavam em se tornar fotógrafos profissionais.

Para ele, a experiência de aprender a fotografar com profissionais da National Geographic foi marcante. “Queria ser fotógrafo desde os 10 anos”, disse. “Acima de tudo, também gostei de conhecer outras pessoas que estão na mesma situação. Esses cinco dias me fizeram muito feliz”.

Antes de sair da Venezuela, a jovem Genesis Lemus, de 19 anos, prometeu à mãe que continuaria lutando por um futuro melhor para a família. “Tenho expectativas e metas que quero alcançar”, declarou. “Apesar dos obstáculos que enfrentei, não desisto”.

Em uma de suas fotos (a que está no início desta página), Genesis capta perfeitamente a experiência transitória de quem foi forçado a deixar seu país e vive em abrigos temporários.

Estas pessoas estão aqui, mas não completamente — pois deixaram tudo para trás, e em breve estarão em outros lugares, em sua incansável busca por segurança e melhores oportunidades. Enquanto isso, correm o risco de se tornarem invisíveis, afogadas por números desumanizados do deslocamento global. Mas, na foto, Genesis mantém sua essência e sua esperança.

Capturando momentos de descanso, roupas penduradas e olhares de crianças, as imagens têm um fio condutor — sua fé inabalável de que o sol voltará a brilhar no dia seguinte.

Veja abaixo as fotografias:

Um menino dorme dentro de uma barraca no abrigo de São Vicente, em Boa Vista (RR). Foto: ACNUR / Santiago José Briceño Espinoza

Um menino dorme dentro de uma barraca no abrigo de São Vicente, em Boa Vista (RR). Foto: ACNUR / Santiago José Briceño Espinoza

“Aprendi a não tratar as pessoas como objetos, mas sim fazer com que a pessoa entrevistada se sinta confortável”, disse Santiago José Briceño.

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“Tudo começou aos 18 anos, quando tive minha filha. Eu dediquei uma grande parte da minha vida a ela e quero dar-lhe um futuro melhor e qualidade de vida”, disse Edinsson Javier Díaz.

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“Ao fazer essas fotos, dei o meu melhor e quis mostrar a alegria dos venezuelanos”, disse Genesis Andreina Lemus.

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“Meu objetivo é que as mulheres sejam vistas como o que somos: empreendedoras e capazes de fazer qualquer coisa”, disse Michel Alejandra Mago.

“Apesar da situação em que estamos, há muitos venezuelanos que continuam avançando e acreditando. Nossa determinação, trabalho e dedicação devem ser reconhecidos”, disse Carlos Adrián Figueredo.

Moradora do abrigo São Vicente, em Boa Vista (RR), dá banho em seu filho em uma das pias disponíveis para lavar roupa. Foto: ACNUR/Adrian Antonio Marinez Danields

“Nas minhas fotos, tento captar a alegria das pessoas e momentos positivos. Eu tento fazer o mundo sorrir através de uma foto”, disse Adrian Antonio Marinez.

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“Nas minhas fotos, sempre procuro por algo que não está à venda ou que não se pode comprar. Tento capturar momentos que comunicam um sentimento, uma diversidade”, declarou Genangely Piñero.

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“Minha última lembrança da Venezuela foi testemunhar meus filhos e todas as pessoas ao meu redor com fome. Por isso, decidi vir para o Brasil”, disse Elidennys Marques.

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“Assim como muitos, eu deixei meu país com o coração pesado e lágrimas nos olhos. Deixei tudo para trás pensando apenas que o futuro será melhor, e o meu maior sonho é poder continuar meus estudos”, afirmou Yunaikis Gonzalez.