Jovens que trabalham com assistência humanitária em Roraima contam suas experiências

Na resposta humanitária ao fluxo de venezuelanos em Roraima, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) tem desenvolvido ações em Boa Vista, capital do estado, e em Pacaraima, fronteira do Brasil com a Venezuela. O objetivo é garantir direitos em saúde sexual e reprodutiva, prevenção e resposta à violência baseada em gênero.

Entre o time de profissionais do UNFPA no local, estão os assistentes de campo, jovens com a missão de garantir que as pessoas refugiadas e migrantes possam ter uma resposta qualificada e sensível às suas demandas e necessidades de proteção.

Os assistentes de campo atuam ativamente contribuindo para o trabalho de assistência humanitária, tanto na mobilização comunitária quanto nos processos de escuta e referenciamento para a rede de proteção. Leia depoimentos desses profissionais.

Equipe do UNFPA tem forte atuação em saúde sexual e reprodutiva. Foto: UNFPA Brasil

Equipe do UNFPA tem forte atuação em saúde sexual e reprodutiva. Foto: UNFPA Brasil

Na resposta humanitária ao fluxo de venezuelanos em Roraima, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) tem desenvolvido ações em Boa Vista, capital do estado, e em Pacaraima, fronteira do Brasil com a Venezuela. O objetivo é garantir direitos em saúde sexual e reprodutiva, prevenção e resposta à violência baseada em gênero.

Entre o time de profissionais do UNFPA no local, estão os assistentes de campo, jovens com a missão de garantir que as pessoas refugiadas e migrantes possam ter uma resposta qualificada e sensível às suas demandas e necessidades de proteção.

Os assistentes de campo atuam ativamente contribuindo para o trabalho de assistência humanitária, tanto na mobilização comunitária quanto nos processos de escuta especializada e referenciamento para a rede de proteção.

A opção por pessoas jovens e, em alguns casos, de nacionalidade venezuelana, não é por acaso — o UNFPA procura proporcionar conforto, identificação e empoderamento, fortalecendo o diálogo com as pessoas recém-chegadas e a promoção da resiliência.

“Parte integrante da resposta humanitária do UNFPA, os assistentes de campo fortalecem a construção de uma rede de apoio para as pessoas refugiadas e migrantes desde a fronteira do Brasil com a Venezuela, especialmente aquelas com necessidades específicas de proteção e em situação de maior vulnerabilidade, fortalecendo a criação de vínculos e o empoderamento dessas pessoas para que elas possam seguir em frente”, explica o chefe do escritório do UNFPA em Roraima, Igo Martini.

Promover o empoderamento de indivíduos e garantir que suas escolhas sejam preservadas, mesmo em contextos de emergências humanitárias, é um dos objetivos seguidos pela agência da ONU, em consonância com o desenvolvimento sustentável e o Programa de Ação do Cairo, firmado em 1994 por 179 países, por ocasião da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), a mais importante conferência para o UNFPA.

A CIPD e seu programa de ação representaram uma mudança de paradigma na forma como os assuntos populacionais passaram a ser abordados, por encarar os direitos reprodutivos como, verdadeiramente, direitos humanos.

Leia abaixo o depoimento de alguns dos profissionais do UNFPA atuando em Roraima:

Ander Guerra. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

Ander Guerra. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

“No momento em que a pessoa tem informação, conhece quais são seu direitos e como funciona a rede, ela se torna alguém que não vai mais depender de outras pessoas, se torna uma pessoa que vai dizer: ‘eu tenho esses direitos, eu tenho a possibilidade de fazer isso, então eu vou fazer’, o que reduz, por um lado, a vulnerabilidade, diminuindo seu nível de necessidades”, diz Ander Guerra, de 21 anos, assistente comunitário do UNFPA em Roraima.

Elizabeth Betancourt. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

Elizabeth Betancourt. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

“O meu primeiro encontro com as pessoas recém-chegadas aos Postos de Triagem tem o objetivo de informar sobre o que é o Fundo de População da ONU e como trabalhamos para garantir direitos de pessoas refugiadas e migrantes, tendo em vista que a informação é fundamental para salvar vidas. Informamos sobre os direitos sexuais e reprodutivos, sobre violência baseada em gênero e direitos humanos, falando da realidade no Brasil e como eles podem se inserir na comunidade brasileira”, diz Elizabeth Betancourt, de 22 anos, assistente comunitária do UNFPA em Roraima.

Elayne Sartori. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

Elayne Sartori. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

“Nos locais de atuação do UNFPA, acolhemos de forma humanizada as pessoas que fazem parte do nosso mandato. Em alguns casos que são mais sensíveis, fazemos uma escuta especializada no espaço seguro com o intuito de assegurar o acesso aos serviços oferecidos pela rede de atendimento no território, o sigilo e assegurando a proteção dessa pessoa que sofreu algum tipo de violência”, diz Elayne Sartori, de 31 anos, assistente de campo do UNFPA.

Lucas Rocha. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

Lucas Rocha. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

“Quando nós falamos sobre escuta sensível, falamos sobre entender detalhadamente o problema que aquela pessoa nos traz e assim buscar soluções e encaminhamentos acertados, conscientizando a pessoa sobre seus direitos no Brasil e, eventualmente, ajudando com que ele não tenha nenhum de seus direitos violados no futuro”, diz Lucas Rocha, de 30 anos, assistente de campo do UNFPA em Roraima.

Luciana Collete. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

Luciana Collete. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

“Minha principal função aqui na resposta humanitária é tentar entender as necessidades específicas de cada grupo e tentar contribuir para satisfazer as necessidades e diminuir as vulnerabilidades que essas pessoas têm. Meu trabalho é entender por que essa pessoas vêm aqui, pelo que estão passando com base na análise individual de cada caso, provendo orientação e assistência com enfoque nos direitos dessas pessoas”, diz Luciana Collete, de 25 anos, assistente de campo do UNFPA em Roraima.

Sofia Chávez. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

Sofia Chávez. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

“Mulheres, pessoas LGBTI, grávidas e lactantes, principalmente, são pessoas que estão mais suscetíveis a sofrer violência, principalmente durante fluxos migratórios. São pessoas mais vulneráveis, por isso, é importante que tenham conhecimento de que aqui no Brasil elas têm direitos e estão protegidas”, diz Sofia Chavéz,  de 27 anos, assistente de campo do UNFPA em Roraima.

Victor Lianski. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

Victor Lianski. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

“Nosso trabalho está focado na coletividade, em difundir informações a grupos numerosos de pessoas, com a ideia de que, por meio do empoderamento, essas pessoas possam recuperar sua capacidade de resiliência e identificar suas próprias prioridades, problemas e soluções; com as ferramentas e informações que nós fornecemos em sessões informativas, contribuímos com a melhoria da sua qualidade de vida”, diz Victor Ramos Lianski,  de 23 anos, assistente comunitário do UNFPA em Roraima.

Paula de Sá. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

Paula de Sá. Foto: UNFPA Brasil/Yareidy Perdomo

“A minha função na resposta humanitária é garantir o acesso à informação em saúde sexual e reprodutiva, assim como dar resposta a casos de violência baseada em gênero, dar apoio com informações para pessoas LGBTI, pessoas vivendo com deficiência, pessoa vivendo com HIV ou AIDS e poder auxiliá-las com conhecimentos sobre os seus direitos no Brasil”, diz Paula de Sá Teixeira, de 28 anos, assistente de campo do UNFPA em Roraima.

O UNFPA conta com uma equipe diversa que já soma 20 pessoas, que fazem parte da resposta humanitária em Roraima desde 2017. Especialistas das áreas de saúde sexual e reprodutiva, violência baseada em gênero, direitos humanos, mobilização de campo e comunicação; além dos assistentes de campo e assistentes comunitários são os principais perfis que trabalham com proteção nos temas que fazem parte do mandato da agência das Nações Unidas.

UNFPA atua em parceria com atores municipais e estaduais

Um dos principais eixos que orientam o trabalho do UNFPA na resposta humanitária em Roraima é o seu posicionamento na liderança, abordagem e resposta dos temas em saúde sexual e reprodutiva.

Garantir os direitos na área de saúde das pessoas refugiadas e migrantes que chegam ao Brasil é essencial para o UNFPA neste contexto, trabalhando não só no atendimento e encaminhamento dos casos, mas também na articulação com as redes locais para construir estratégias de abordagem nas demandas que surgem.

O UNFPA tem avançado na articulação com a rede municipal e estadual de Roraima nos temas relacionados ao seu mandato, tendo como principal parceiro estadual a Coordenação de IST/HIV/AIDS e no nível municipal, a Coordenação de Saúde da Mulher.

Existe também uma parceira com a Universidade Federal de Roraima com o objetivo de integrar a rede local, a universidade e as agências da ONU que discutem os temas de saúde sexual e reprodutiva.

O UNFPA tem acompanhado casos de maior complexidade que chegam aos espaços de atendimento dentro da Operação Acolhida em Pacaraima e Boa Vista, monitorando inclusive gravidez de risco, abuso sexual, gravidez não intencional e também outras orientações especializadas.

“A minha ação é de capacitar e orientar inclusive a nossa própria equipe para que ela possa estar preparada para dar resposta acerca dos temas de saúde sexual e reprodutiva, dando seguimento a diversas ações formativas com outros profissionais do UNFPA da área, abordando temas como gravidez não planejada, HIV, AIDS, IST (infecções sexualmente transmissíveis), entre outros, e conseguir que os nossos colegas orientem com qualidade as pessoas que chegam na sala do UNFPA para garantia de direitos em saúde”, lembra a especialista em saúde sexual e reprodutiva do UNFPA em Roraima, Leila Rocha.


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