Jovens buscam reaproximar moradores de comunidade dividida na Colômbia

Após o acordo de paz que deve pôr fim ao conflito mais antigo da América Latina, jovens homens e mulheres em La Gloria, na província de Caquetá, adotaram medidas para reconciliar diferentes grupos de sua comunidade de deslocados internos, organizando atividades culturais para as gerações mais novas. Os adolescentes participavam de oficinas de arte para jovens promovidas pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no país.

Com o acordo de paz para acabar com um dos conflitos mais longos da América Latina, jovens estão dando o exemplo para acabar com a hostilidade entre vizinhos. Foto: ACNUR

Com o acordo de paz para acabar com um dos conflitos mais longos da América Latina, jovens estão dando o exemplo para acabar com a hostilidade entre vizinhos. Foto: ACNUR

Um grupo de jovens deslocados internos na região amazônica da Colômbia deu exemplo aos mais velhos com uma estratégia para aliviar as suspeitas e hostilidades que pairavam entre os moradores de uma comunidade fortemente dividida após décadas de confrontos no país.

Depois do acordo de paz que deve pôr fim ao conflito mais antigo da América Latina, jovens homens e mulheres em La Gloria, na província de Caquetá, adotaram medidas para reconciliar diferentes grupos de sua comunidade de deslocados internos, organizando atividades culturais para as gerações mais novas.

La Gloria teve de passar por um processo de reconstrução como parte de um plano governamental após inundações e desastres naturais em 2011. No entanto, o projeto foi pouco supervisionado e algumas das casas foram mal construídas.

Em 2013, pessoas que fugiram do conflito interno entre forças governamentais e Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foram transferidas para novas casas sociais mais funcionais, construídas como parte de um processo de realocação.

A tensão e o ressentimento entre os deslocados pelo conflito e os deslocados pelo desastre cresceram em razão da qualidade variável e do tipo de acomodação oferecidos.

“Não fiquei feliz quando cheguei a La Gloria”, disse Samuel, de 14 anos, cuja família fugiu do conflito. “Eu não conhecia ninguém e todo mundo estava sozinho. Havia muita rivalidade entre todas as pessoas que vivem no bairro”, completou.

Barreiras invisíveis cresceram entre os grupos de recém-chegados, que geralmente ficavam em seus próprios bairros e não se misturavam. Crianças de áreas diferentes não podiam brincar juntas.

Depois que recentemente os colombianos rejeitaram um acordo de paz em um referendo em setembro, o governo e as FARC chegaram a um novo pacto revisado, assinado em 24 de novembro. O objetivo é acabar com 52 anos de conflito que matou mais de 220 mil pessoas. O ato foi comemorado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Como resultado do conflito, há mais de 72 milhões de deslocados internos na Colômbia. O ACNUR está concentrando esforços para ajudar os deslocados internos, promovendo integração local, vital para garantir que seus direitos sejam respeitados e que tenham meios dignos para se sustentar.

Cansado de viver em um ambiente ruim em La Gloria, Samuel e outros adolescentes que têm participado de oficinas de arte para jovens fornecidas pelo ACNUR decidiram tomar a iniciativa de tentar melhorar o espírito comunitário.

Eles começaram com a organização de atividades para crianças e jovens. “No começo, as crianças não podiam vir, mas insistimos com seus pais e lentamente eles deixaram que elas viessem”, disse Samuel.
Com o apoio do ACNUR, Samuel e seus companheiros construíram um centro de jovens, onde todos podiam se reunir, aprender, compartilhar ideias e desenvolver atividades sem terem que se preocupar com o lugar de onde vieram.

Os jovens moradores de La Gloria também decidiram juntar-se ao “Festival da Vida e dos Direitos” financiado pelo ACNUR, no qual toda a comunidade participa de atividades e compartilha experiências.

A ideia decolou e o sucesso foi confirmado quando mais tarde a comunidade foi capaz de se reunir para encontrar soluções para problemas como o aumento da criminalidade, o tráfico de drogas e famílias mudando-se para outras áreas em decorrência da falta de moradia em La Gloria.

Para assegurar a coesão social, a comunidade local é encorajada a desenvolver suas próprias ideias, trabalhar em equipe, implementar projetos — com o apoio do ACNUR — e aprender a se organizar e a funcionar como uma comunidade conjunta. Eles recebem orientações sobre como negociar com autoridades locais e estaduais.