Jovem venezuelana retoma vida em Roraima com apoio do Fundo de População da ONU

A menor menção ao trabalho do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) faz os olhos da adolescente Dainielis Carmona, de 17 anos, brilharem. A jovem venezuelana, mãe de uma menina de 9 meses, deixou seu país junto ao companheiro e outros 13 familiares — metade deles mulheres — há cinco meses.

Em Boa Vista (RR), ela encontrou abrigo, participou de oficinas sobre saúde sexual e reprodutiva, conversou com especialistas e fez, em suas próprias palavras, grandes amigos nos espaços coordenados pela agência da ONU. Ela agora se sente mais empoderada e fortalecida para cuidar de si mesma e da filha.

Dainielis e sua filha no Espaço Amigável, em Boa Vista. Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães

Dainielis e sua filha no Espaço Amigável, em Boa Vista. Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães

A menor menção ao trabalho do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) faz os olhos da adolescente Dainielis Carmona, de 17 anos, brilharem. A jovem venezuelana, mãe de uma menina de 9 meses, deixou seu país junto ao companheiro e outros 13 familiares — metade deles mulheres — há cinco meses.

Em Boa Vista (RR), ela encontrou abrigo, participou de oficinas sobre saúde sexual e reprodutiva, conversou com especialistas e fez, em suas próprias palavras, grandes amigos nos espaços coordenados pela agência da ONU. Ela agora se sente mais empoderada e fortalecida para cuidar de si mesma e da filha.

“Somos muito gratos pela atenção recebida. São pessoas muito boas, que naquele primeiro momento me disseram para não chorar, para ficar tranquila”, conta.

Dainielis praticamente não teve acesso a serviços de pré-natal em seu país e foi somente em território brasileiro que conseguiu acompanhamento especializado para ela e a criança. Garantir que Dainielis recebesse atendimento na rede pública foi uma prioridade da equipe de assistência humanitária do UNFPA que a acolheu.

“Na Venezuela, não havia leite nem remédios para minha filha. Meu parto em si foi muito complicado. Tive pré-eclâmpsia e o hospital não tinha nada, apenas o médico. Foi um parto seco”, relata. Somente após o nascimento da criança, ela e a família decidiram partir. Não foi uma decisão fácil.

“Foi doloroso, tivemos que deixar muitas pessoas. Mas precisávamos fazê-lo, porque não tínhamos condições”, relata sua mãe, Deyanira Hernandez, de 48 anos. Em Roraima, 13 abrigos coordenados pela Operação Acolhida recebem as pessoas migrantes e refugiadas temporariamente.

Dainielis não pretende ter outros filhos. Pelo menos, não por enquanto. Para isso, ela e seu companheiro tiveram acesso a informações sobre contraceptivos e receberam preservativos, disponibilizados em rodas de conversa e salas de atendimento coordenadas pelo UNFPA.

“Agora quero ter minha estabilidade, planejar o futuro, ter um trabalho e continuar os estudos. Uma filha só está bom”, diz, sorrindo.