Jovem empreendedora francesa transforma lixo orgânico em adubo para produtores locais

Insatisfeita com os efeitos nocivos da incineração de lixo orgânico em Nantes, na França, a jovem empreendedora Coline Billon, de 28 anos, decidiu começar a enfrentar o desperdício.

Hoje, ela anda de bicicleta pela cidade para encontrar restos de alimentos não comestíveis e transformá-los em “ouro negro” — um composto rico que permite a fazendeiros locais, jardineiros e supermercados nutrirem a terra e seus alimentos. Leia a entrevista concedida à ONU Meio Ambiente.

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Tudo começou há cinco anos, quando a francesa Coline Billon descobriu a beleza natural do Peru — lar da civilização inca, com cadeias montanhosas coloridas, pássaros exóticos e um ar revigorante em altitude elevada. O Peru lhe trouxe uma nova perspectiva.

Quando retornou a Nantes, sua cidade natal, ela percebeu que estava muito mais consciente dos problemas ambientais de seu centro urbano, especialmente em relação às grandes quantidades de lixo orgânico que acabavam incineradas.

Quando começou a investigar o problema, a jovem de 28 anos descobriu que, globalmente, cerca de 40% dos dejetos — incluindo comida — são queimados a céu aberto. Nesse processo, substâncias nocivas, como o carbono, são lançadas na atmosfera.

Coline também descobriu que um terço de toda a comida produzida globalmente é desperdiçada a cada ano, e seu descarte contribui para a poluição do ar, gerando emissões desnecessárias.

Na opinião da oficial de programa de estilos de vida sustentáveis da ONU Meio Ambiente, Garrette Clark, o desperdício de alimentos é um desafio central para a mudança climática e é algo que todos podemos conter.

“Desperdiçar alimentos tem impactos como emissão de carbono decorrente do descarte e da produção, processamento e distribuição. Conscientizar e mostrar que a mudança é possível é um primeiro passo crucial.”

“Além de comprar aquilo de que precisamos localmente, podemos comprar alimentos produzidos de maneira sustentável, buscar informações sobre boas práticas, conversar sobre alimentos sustentáveis e saudáveis com vendedores e produtores. Comece um jardim ou horta urbana, em casa ou nas escolas, por exemplo. É fundamental apoiar organizações, políticas, programas e pessoas que promovam sistemas alimentares mais sustentáveis”, complementou.

Insatisfeita com o que via, Coline decidiu começar a enfrentar o desperdício. Hoje, ela anda de bicicleta por Nantes para encontrar restos de alimentos não comestíveis e transformá-los em “ouro negro” — um composto rico que permite a fazendeiros locais, jardineiros e supermercados nutrirem a terra e seus alimentos.

A ONU Meio Ambiente entrevistou Coline sobre sua empresa, chamada La Tricyclerie, para descobrir como enfrenta o desperdício de alimentos e ao mesmo tempo cria recursos novos e valiosos para a economia local.

ONU Meio Ambiente: O que a inspirou a criar sua empresa?

Coline Billon: Quando voltei do Peru, percebi as enormes quantidades de lixo orgânico e passei a me interessar por compostagem. Ao conversar com restaurantes e supermercados, percebi que eles não tinham soluções para suas necessidades de compostagem. Por fim, combinei meus interesses com o ciclismo — Nantes é uma cidade acolhedora para ciclistas e, claro, andar de bicicleta não tem impactos ambientais.

ONU Meio Ambiente: Você percebeu um aumento na conscientização sobre os problemas relacionados ao desperdício de alimentos?

Coline Billon: Acho que sim. Por exemplo, um atacadista de alimentos inaugurado recentemente em Nantes procura solucionar os problemas de resíduos orgânicos dos outros mercados. Ao mesmo tempo, muitas outras soluções locais e regionais estão ganhando corpo, como um aplicativo que redistribui alimentos que seriam desperdiçados no final do dia e outros projetos de coleta locais.

ONU Meio Ambiente: Qual é a sua visão e seus objetivos para o futuro? Como vai aumentar o impacto positivo?

Coline Billon: Um dos nossos objetivos mais importantes para o futuro próximo é melhorar nossas atividades existentes e construir um modelo de negócio sustentável. Isso provavelmente envolverá terceirizar parte da compostagem, que toma quase metade do nosso tempo. O segundo objetivo é promover atividades de treinamento para ajudar outros a adotarem nosso modelo e espalhá-lo em outras cidades. Estamos trabalhando para construir uma rede da La Tricyclerie em várias cidades, em todo o país. Isso aumentará de maneira significativa nosso impacto e esperamos que possa inspirar mudanças nas políticas públicas no futuro.

ONU Meio Ambiente: Quais dicas você daria para as pessoas que querem enfrentar o desperdício de alimentos?

Coline Billon: O mais importante é alimentar-se com comidas orgânicas e locais sempre que possível. Isso não apenas reduzirá as emissões desnecessárias de transporte mas também apoiará fazendeiros locais e ecossistemas mais saudáveis. Além disso, assegure-se de que está comprando a quantidade certa e, se não puder evitar desperdício, congele ou compartilhe o excedente em vez de jogar fora.

ONU Meio Ambiente: Quais conselhos você daria para jovens que queiram começar um negócio para enfrentar nossos desafios ambientais?

Coline Billon: Meu maior conselho é simplesmente tentar. Acredito na experimentação e adaptação quando necessária, é muito importante fazer as coisas acontecerem. Além disso, explore suas redes. Não tenha medo de falar com pessoas e procurar conselhos, especialmente pessoas de diferentes origens e com diferentes opiniões.