Jolie visita acampamentos na fronteira entre Venezuela e Colômbia

Em Riohacha, na Colômbia, a enviada especial do ACNUR, Angelina Jolie, encontra Ester Barboza, de 17 anos, que tem deficiência visual desde os 3 anos e fugiu da Venezuela por falta de atendimento médico. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Após as Nações Unidas anunciarem que 4 milhões de venezuelanos deixaram o país, a atriz norte-americana Angelina Jolie visitou acampamentos na fronteira entre Colômbia e Venezuela. No sábado (8), a enviada especial da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu maior liderança, mais humanidade e mais apoio aos países que lidam com a crise.

“Esta é uma situação de vida ou morte para milhões de venezuelanos”, disse a enviada especial do ACNUR a jornalistas em entrevista coletiva em Maicao, na Colômbia. Ela realizou uma visita de dois dias e se encontrou com refugiados, migrantes e autoridades governamentais para avaliar o impacto humano do êxodo crescente.

Segundo Jolie, não é possível colocar um valor ao apoio que a Colômbia, o Peru e o Equador estão dando ao povo da Venezuela “porque isto é a essência do que é ser humano”.

“Precisamos desta humanidade mais do que nunca e de pensamentos racionais de pessoas que não têm medo de assumir responsabilidade e mostrar liderança”, disse a vencedora do Oscar.

Jolie conversou com jornalistas a menos de dez quilômetros da fronteira, no Centro de Assistência Integrada, que acolhe venezuelanos para permanências de até 30 dias. O centro, aberto em março pelo ACNUR e pelo governo colombiano, fornece atualmente abrigo e alimentação para 350 pessoas em situação de vulnerabilidade. O local também dá assistência legal, realiza atividades para crianças, avaliações médicas e apoio psicossocial.

Planos para expandir a capacidade do centro para 1.400 pessoas foram paralisados por conta da falta de financiamentos, que desaceleraram a resposta humanitária em toda a região, colocando milhões em risco, de acordo com o ACNUR.

No centro, Jolie se encontrou com uma família que cruzou a fronteira em abril. Maria, de 41 anos e mãe solteira de seis filhos, conversou sobre como teve que vender o telhado de metal de sua casa na Venezuela para comprar roupas e sapatos para que seus filhos conseguissem percorrer o trajeto até a Colômbia.

“Seus filhos irão olhar para este período como o momento em que você realmente os salvou”, disse a enviada especial do ACNUR à mãe venezuelana.

Jolie também visitou Brisas del Norte, um assentamento informal que é lar de centenas de famílias colombianas e venezuelanas. Segundo o ACNUR, os colombianos são ex-refugiados que voltaram ao país para escapar da crise econômica e política na venezuelana, as mesmas condições que forçaram os venezuelanos a buscar refúgio no país.

Linda López, uma venezuelana de 60 anos que chegou ao local há um mês, se aproximou de Jolie enquanto ela andava pela comunidade e descreveu os perigos que enfrentava na Venezuela.

“As pessoas estão morrendo de fome”, disse López. “Minha família inteira fugiu”.

Mais cedo no sábado, a enviada especial se reuniu com o presidente da Colômbia, Iván Duque, em Cartagena. Ela expressou gratidão ao governo e ao povo da Colômbia na resposta à crise venezuelana com o que chamou de “generosidade verdadeiramente memorável”.