Jogos Indígenas: Capacitação de canoagem reúne atletas para reconhecimento da prova

As canoas foram confeccionadas por uma equipe de engenheiros indígenas para que seguissem o padrão da maioria das etnias. Jogos Mundiais dos Povos indígenas, realizados em Palmas, contam com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Indígenas durante capacitação de canoagem no ribeirão Taquaruçú Grande, em Palmas, Tocantins. Crédito: Tiago Zenero/PNUD Brasil.

Indígenas durante capacitação de canoagem no ribeirão Taquaruçú Grande, em Palmas, Tocantins. Crédito: Tiago Zenero/PNUD Brasil.

Do mais experiente aos amadores. Todos os atletas se unem para se celebrar os Jogos Mundiais dos Povos indígenas. Melton Spottedbear, da etnia Crow, veio de Montana, nos Estados Unidos, junto com outros 17 atletas de três etnias diferentes, para competir canoagem, arco-e-flecha e corrida com tora. Todos pela primeira vez.

“Eu nunca joguei nenhum desses esportes, mas estou aqui para celebrar a cultura. Não acho que vai ser muito difícil”, diz Melton.

Já Lucas Asurini, da etnia Asurini, do Pará, está confiante quanto à prova de canoagem. “Perdemos já no cabo de guerra e no futebol, mas na canoagem vamos ganhar, pois praticamos desde pequenos. O jeito do povo Asurini é o segredo para vencer”, profetizou o atleta na manhã da terça-feira (27) nas margens do ribeirão Taquaruçu, onde atletas internacionais se reuniram para capacitação e reconhecimento da prova de canoagem.

“A canoagem existe em todos os povos. Por necessidade, eles têm que se locomover sobre a água. O que estamos fazendo aqui é dar a oportunidade para que eles se adaptem ao estilo da canoa, porque cada povo a constrói de maneira diferente”, declarou o organizador do evento responsável pela prova de canoagem, Edvaldo Malato, que veio do Pará para dar assistência nessa modalidade.

O atleta paralímpico Fernando Fernandes, que também compareceu ao local para incentivar os atletas indígenas, completou que, para os povos indígenas, a canoagem não é apenas um esporte. “Eles usam a canoa por necessidade, para a pesca e para o transporte. É incrível a força e a capacidade física que os indígenas têm.”

Para a competição, que será realizada no ribeirão Taquaruçú Grande, mesmo local da capacitação, o integrante do Comitê Intertribal Carlos Alberto Gouvêa, que trabalha com os Jogos Indígenas há 15 anos, explica que serão realizadas baterias com cinco ou seis atletas cada uma. O vencedor de cada bateria disputará a prova final. “A prova exige equilíbrio, coordenação e velocidade”, completa Malato.

As canoas têm 5,5 metros de comprimento e são feitas de cedrorana. Para a confecção dos barcos, Gouvêa conta que nove engenheiros indígenas se juntaram para confeccioná-los de forma que se assemelhassem à maioria das canoas tradicionais indígenas. Os desenhos foram feitos pelos irmãos Terena.

José Luis Choltal, atleta do México, afirma que seu povo está acostumado a utilizar a canoa, pois mora em uma ilha. O barco lá, contudo, é diferente do utilizado na prova dos JMPI. “Lá, as canoas têm pelo menos 6 metros, com formato diferente. Ainda estamos nos acostumando com essa daqui.”

Já Benedicto Cantero Tunubala, coordenador do clube desportivo do povo Misak, da Colômbia, disse que a prova será fácil para os atletas colombianos. “Lá, há muita correnteza, já estamos acostumados com isso. Aqui vamos ganhar”, garante.

A prova é exclusivamente masculina. “Isso é tradição dos próprios indígenas, a gente respeita”, explica Malato.

Mesmo assim, as mulheres marcam presença na prova, como é o caso da equipe da Filipinas, que veio com nove pessoas, sendo cinco atletas, dois chefes de delegação e duas esposas. “Vim acompanhar meu marido, dar suporte para ele. Acho que isso é tão importante quanto jogar”, disse Erlyn Barlabal, da etnia Igoret, das Filipinas.

Acompanhe a cobertura do evento no site do PNUD: www.pnud.org.br/Noticias.aspx