Iraque: UNESCO expressa preocupação após a destruição do Monastério de Santo Elias em Mossul

Durante 1.400 anos, o monastério representou um lugar de culto e meditação, aceito por todos. Relatos indicavam que o Monastério de Deis Mar Elia tinha sido destruído em agosto de 2014, o que foi só agora confirmado.

Soldados do exército americano visitam o monastério em 2012. Foto: Wikicommons/Sgt. JoAnn S. Makinano

Soldados do exército americano visitam o monastério em 2012. Foto: Wikicommons/Sgt. JoAnn S. Makinano

“Expresso minha mais profunda preocupação após a destruição do Monastério de Santo Elias. Este era o mais antigo monastério cristão no Iraque e um testemunho inestimável da rica diversidade cultural e religiosa do país”, declarou a diretora-geral da Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova nesta quinta-feira (21).

Localizado em Mossul, durante 1.400 anos o monastério representou um lugar de culto e meditação, aceito por pessoas de todas as crenças, disse Bokova. “Sua destruição é outro violento ataque contra o povo iraquiano, que confirma os crimes contra a humanidade sofridos pela população cristã, assim como a abrangência da limpeza cultural que está em curso no Iraque”, adicionou.

A diretora-geral lembrou que a cristandade nasceu no Oriente Médio e é uma parte integral da história do Iraque e do povo iraquiano e a destruição deliberada é considerada um crime de guerra e não deve ficar sem punição.

“Isso também nos lembra de como os extremistas são atormentados pela história, uma vez que a compreensão do passado enfraquece os pretextos que eles utilizam para justificar esses crimes e os expõem como manifestações de puro ódio e ignorância. Apesar de seus crimes impiedosos, os extremistas nunca serão capazes de apagar a história”, destacou.

Ela reafirmou que a UNESCO permanece comprometida com a proteção do patrimônio do Iraque e na liderança do combate ao tráfico ilícito de artefatos culturais, que contribui diretamente para financiar o terrorismo.

Como informam diversas fontes e relatos da mídia, o Monastério de Deir Mar Elia foi destruído em agosto de 2014, o que foi só agora confirmado. O local recebeu o nome do monge cristão assírio, Santo Elias, que o construiu entre os anos de 582 e 590. Durante séculos, o monastério foi um lugar sagrado para os cristãos iraquianos, como parte da comunidade católica caldeia do Oriente Médio, e testemunhou a diversidade religiosa da região, onde pessoas de todas as crenças conviveram durante séculos. Do início dos anos 2000 até hoje, a população cristã do Iraque caiu de 1,3 milhão para 300 mil pessoas.

Foto aérea comparativa do antes e depois da destruição do monastério. Foto: Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Foto aérea comparativa do antes e depois da destruição do monastério. Foto: Departamento de Estado dos Estados Unidos.