Iraque: operação militar em Mossul deixa quase 115 mil deslocados; 50 mil crianças são afetadas

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Desde que operações militares começaram a retomar a cidade iraquiana de Mossul do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) dois meses atrás, cerca de 114 mil pessoas foram deslocadas e quase 1 milhão estão sem acesso a assistência humanitária.

Há ainda preocupação com a segurança de crianças, já que mais de 50 mil foram afetadas pela operação militar em Mossul e pelo conflito nos arredores. De acordo com a vice-representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Iraque, Hamida Lasseko, a agência está trabalhando com o governo iraquiano para fornecer serviços básicos, apoio psicossocial e educação.

Recém-chegados ao campo de Khazer, que abriga mais de 6 mil iraquianos que fugiram do conflito em Mosul. Foto: PMA/Alexandra Murdoch

Recém-chegados ao campo de Khazer, que abriga mais de 6 mil iraquianos que fugiram do conflito em Mosul. Foto: PMA/Alexandra Murdoch

Desde que operações militares começaram a retomar a cidade iraquiana de Mossul do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) dois meses atrás, cerca de 114 mil pessoas foram deslocadas e quase 1 milhão estão sem acesso a assistência humanitária.

De acordo com novo relatório do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), ainda não é possível dar uma estimativa definitiva do número de pessoas que ainda estão vivendo em áreas controladas pelo ISIL.

No entanto, há preocupação com o fato de as condições dessas comunidades estarem se deteriorando, já que bens básicos não foram substituídos na região oeste da cidade desde que as rotas de acesso foram fechadas no mês passado.

Há ainda preocupação com a segurança de crianças, uma vez que mais de 50 mil foram afetadas pela operação militar em Mossul e pelo conflito nos arredores. De acordo com a vice-representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Iraque, Hamida Lasseko, a agência está trabalhando com o governo iraquiano para fornecer serviços básicos, apoio psicossocial e educação a essas crianças.

“Esse será nosso foco — garantir educação para as crianças. Isso também ajudará a mantê-las seguras: elas serão protegidas do recrutamento, do conflito armado e também poderão ter acesso a direitos básicos”, declarou.

“Continuamos a pedir que todos aqueles envolvidos no conflito deixem as crianças crescerem como crianças e terem uma vida normal”, completou Lasseko, enfatizando que “eles devem interromper o uso de crianças em benefício da guerra”.

Para aqueles que estão agora vivendo nos campos de refugiados, a assistência humanitária inclui serviços básicos como água potável, latrinas e assistência médica. O OCHA enfatizou que criar novos locais de acomodação para pessoas que fugiram recentemente do conflito é uma prioridade: apenas na semana passada, mais de 10,1 mil pessoas foram deslocadas.

No entanto, incidentes de segurança ameaçaram operações de ajuda no leste de Mossul. Em 22 de dezembro, três carros-bomba explodiram em Gogchali, uma área no leste da cidade e adjacente à principal rota de acesso.

A região também é afetada por inundações devido à chuva incessante que ameaça o fornecimento de água potável, enquanto a chegada do inverno derruba as temperaturas e torna as condições de sobrevivência ainda mais difíceis.

As agências da ONU e parceiros estão trabalhando para garantir que civis tenham proteção adequada do frio, e uma ONG está construindo um hospital de campanha para encurtar as viagens das ambulâncias e reduzir a pressão sobre os hospitais de Erbil.


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