Iraque: OMS prioriza reabilitação do sistema de saúde em Mosul

Equipe de cirurgiões em hospital Al Jumhori, no oeste de Mossul, durante laparoscopia em dezembro de 2018. Foto: OMS

Após mais de quatro anos de intensos conflitos no Iraque para expulsar o grupo terrorista Estado Islâmico, a reabilitação e a melhora do sistema de saúde e serviços médicos vitais em locais como Mosul, anteriormente ocupada, permanecem prioridade, afirmou na quarta-feira (26) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A agência de saúde das Nações Unidas está trabalhando em províncias afetadas como Ninewa, Anbar, Salah Aldin e Kirkuk – junto a autoridades locais, doadores e parceiros regionais – para garantir serviços médicos às pessoas mais vulneráveis, lidando principalmente com as necessidades de recuperação de emergência.

A OMS entregou 2,5 toneladas de remédios na quarta-feira para apoiar centros médicos primários e clínicas médicas móveis apenas na província de Ninewa.

Mosul foi retomada por uma coalizão liderada pelo governo iraquiano em julho do ano passado, após o Estado Islâmico tomar a segunda maior cidade do país em junho de 2014. A campanha para expulsar os terroristas durou meses, envolvendo confrontos nas ruas e a destruição de grande parte da cidade. Milhares de civis morreram e mais de 900 mil foram deslocados.

No hospital Al Jumhori, no oeste de Mosul, médicos estão começando a realizar cirurgias que são vitais para pacientes, que só recentemente voltaram para casa para reconstruir a cidade.

As instalações construídas em 2016 pela OMS para tratar pacientes de trauma durante operação de libertação agora fornecem tratamentos de saúde especializados, entre eles a laparoscopia, uma cirurgia que usa pequenas incisões no abdome ou pélvis, com ajuda de uma câmera, para examinar os órgãos.

“A disponibilidade de técnicas cirúrgicas laparoscópicas em nosso hospital melhora serviços médicos em Mosul e o crédito deve ser dado ao apoio que recebemos da OMS e do Escritório de Ajuda dos Estados Unidos a Assistência a Desastres (OFDA)”, disse o chefe do hospital, Nashat Ganim Al-Khaiat, em comunicado à imprensa.

“Eu sofria de recorrente colecistite, que exigia remoção da vesícula biliar, que eu não podia pagar para ser feita de forma particular”, disse Nadia, de 48 anos, primeira paciente a receber o novo tratamento no hospital.

“Eu fiz a cirurgia no hospital Al Jumhori e agora estou me recuperado rapidamente. Minha vida está voltando ao normal”, acrescentou.

Nadia retornou a Mosul com sua família após mais de três anos em um acampamento para pessoas deslocadas internamente. Em setembro, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) concluiu em relatório que quase 4 milhões de pessoas haviam conseguido voltar para casa no total.

Em Mosul, cerca de 40 mil casas ainda precisam ser renovadas e mais esforços e recursos são necessários para cumprir a crescente demanda por serviços de saúde para milhões de pessoas que retornaram ou estão deslocadas e que voltam gradualmente para suas casas, esperando reconstruir suas vidas.