Iraque: Mais de 140 mil deslocados desde início dos combates na região central do país em dezembro

Província de Anbar está sendo seriamente atingida por combates entre forças do governo e militantes da Al-Qaeda e, só na semana passada, 65 mil pessoas deixaram suas casas na região.

Mulher deslocada na província de Anbar recolhe kit de ajuda do ACNUR. Foto: ACNUR

Mulher deslocada na província de Anbar recolhe kit de ajuda do ACNUR. Foto: ACNUR

Mais de 65 mil pessoas fugiram do conflito nas cidades de Fallujah e Ramadi, na província central de Anbar, no Iraque, na semana passada, elevando o número total de pessoas deslocadas desde que os combates começaram no final de 2013 para mais de 140 mil, alertou a agência da ONU para os refugiados (ACNUR), nesta sexta-feira (24).

Os números de deslocamento, fornecidos pelo Ministério do Deslocamento e Migração iraquiano, são os maiores do país desde a onda de violência de 2006-2008 e são o resultado de confrontos entre as tropas iraquianas e combatentes ligados ao grupo terrorista Al- Qaeda.

Ao todo, 1,13 milhão de pessoas estão deslocadas no país, residindo principalmente nas províncias de Badgá, Diyala e Ninewa.

O ACNUR informou que muitos civis foram impossibilitados de deixar áreas de risco e permanecem acomodados por parentes ou em escolas, mesquitas ou hospitais, onde alimento e combustível estão em falta.

A agência já conseguiu distribuir lonas, cobertores, colchões, alimentos e material de higiene. Na quinta-feira (23), ela entregou 2.400 kits de ajuda emergencial. Apesar disso, o ACNUR alertou que ainda há muitos deslocados precisando urgentemente de comida e assistência médica.

A ONU pediu que o governo iraquiano facilite a entrega de ajuda humanitária às famílias que estão sem poder sair de Anbar. Nas últimas semanas, várias pontes foram destruídas e o acesso dificultado.

Ao mesmo tempo, várias outras áreas do Iraque, como Bagdá, Erbil, Kerbala, Salah-al-Din e Ninewa, estão recebendo deslocado, que chegam sem dinheiro para comprar comida e sem roupas adequadas para a estação de chuvas. Crianças não estão indo às escolas e as condições higiênicas, principalmente para as mulheres, estão inadequadas.