Iraque: Abril foi o mês mais violento dos últimos cinco anos, diz ONU

Segundo dados divulgados pela missão da ONU, 712 pessoas morreram e 1.633 ficaram feridas em atos de terrorismo e violência. Ban Ki-moon pediu união para enfrentar “crise política profunda”.

Al-Rustumiya, um assentamento informal para pessoas deslocadas, nos arredores da capital iraquiana Bagdá. Foto: IRIN/ Heba Aly

Al-Rustumiya, um assentamento informal para pessoas deslocadas, nos arredores da capital iraquiana Bagdá. Foto: IRIN/ Heba Aly

Mais pessoas foram mortas e feridas em ataques violentos em todo o Iraque em abril deste ano do que em qualquer mês desde junho de 2008, alertou a missão das Nações Unidas no país nesta quinta-feira (2).

Segundo dados divulgados pela Missão de Assistência da ONU no Iraque (UNAMI), 712 pessoas morreram e 1.633 ficaram feridas em atos de terrorismo e violência.

A maioria das vítimas eram civis, com 595 pessoas mortas e 1.438 feridas. Outros 117 membros das forças de segurança iraquianas foram mortos e 195 ficaram feridos.

Bagdá foi a província mais afetada, com um total de 697 mortes de civis, seguido por Diyala, Salahuddin, Kirkuk, Ninewa e Anbar.

Centenas de pessoas foram mortas ou feridas nos últimos confrontos em todo o país, inclusive em Hawija, no norte de Bagdá, onde os helicópteros do governo dispararam contra militantes escondidos na aldeia, resultando em dezenas de mortos e feridos.

O Representante Especial do Secretário-Geral no Iraque, Martin Kobler, pediu repetidamente às autoridades iraquianas para tomar medidas decisivas para interromper a escalada de violência. Na terça-feira (30), o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a todos os iraquianos para se unirem e se envolver em diálogo inclusivo para superar a “crise política profunda” que o país enfrenta.

“É somente através do diálogo e da participação plena nas instituições governamentais que iniciativas ousadas podem ser tomadas para superar a fase crítica que o país está passando”, disse Kobler.

Nesta quinta mais cedo, Kobler saudou o retorno de ministros da região do Curdistão para o gabinete e membros da região do Curdistão do Parlamento para o Conselho de Representantes, após uma reunião na segunda-feira (29) entre o primeiro-ministro, Nuri al-Maliki, e o primeiro-ministro do Governo Regional do Curdistão, Nichervan Barzani.

“O Secretário-Geral convoca as Forças de Segurança iraquianas a exercer a máxima moderação na manutenção da lei e da ordem, e apela aos manifestantes para preservar a natureza pacífica de seus protestos”, disse o porta-voz de Ban em um comunicado na terça. O chefe das Nações Unidas também expressou “suas mais sentidas condolências às famílias das vítimas e desejou aos feridos uma rápida recuperação”.

O Secretário-Geral levantou preocupação também sobre a recente decisão de retirar as licenças de vários canais de televisão do país e pediu que as autoridades competentes reconsiderem sua decisão.

Também na terça (30), Kobler se uniu a Ban e pediu à Comissão de Comunicação e Mídia do Iraque para reconsiderar a decisão. “A liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia, que a ONU leva muito a sério”, disse o Representante Especial.