Irã: políticas de segurança podem ser a gênese do extremismo violento e sem fronteiras

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, destacou que a gênese do extremismo violento sem fronteiras e do terrorismo pode ser atribuída às estratégias de segurança desenvolvidas pelas grandes potências nos últimos 15 anos, que estão se concentrando principalmente no avanço da repressão e da intervenção militar sob o pretexto de criar um ambiente seguro para os seus cidadãos.

“A maior lição a aprender sobre essas análises é que a segurança em uma região pode levar à insegurança em outros locais”, disse.

Presidente do Irã, Hassan Rohan, durante debate na 71ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU / Cia Pak

Presidente do Irã, Hassan Rohan, durante debate na 71ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU / Cia Pak

O século que começou com o terror em Nova York não deve continuar com a difusão do ódio, da violência e com a destruição no Oriente Médio e no Norte da África, disse o presidente do Irã, Hassan Rouhani, à Assembleia Geral das Nações Unidas na quinta-feira (22).

Ele ressaltou que a questão mais urgente que os líderes mundiais precisam abordar é a forma abrangente de combater o terrorismo.

“Quinze anos se passaram desde o ataque terrorista doloroso que ocorreu na cidade de Nova York, um desastre cujas dimensões mudaram o mundo inteiro’’, disse o presidente Rouhani, destacando que, em 11 de setembro de 2001, ninguém imaginava que os eventos terríveis levariam a desastres maiores, incluindo a guerra devastadora no Oriente Médio e a propagação do terrorismo.

Rouhani destacou que a gênese do extremismo violento sem fronteiras e do terrorismo pode ser atribuída às estratégias de segurança desenvolvidas pelas grandes potências nos últimos 15 anos, que estão se concentrando principalmente no avanço da repressão e da intervenção militar sob o pretexto de criar um ambiente seguro para os seus cidadãos.

“Um debate honesto deve ocorrer sobre as políticas falhas e as ações erradas que abriram o caminho para a insegurança em todo o mundo. A maior lição a aprender sobre essas análises é que a segurança em uma região pode levar à insegurança em outros locais”, acrescentou.

“Lamentavelmente, alguns poderes têm proporcionado apoio oculto a grupos terroristas ou tolerado a sua formação, e os mesmos poderes estão agora cometendo atrocidades contra pessoas inocentes e seus defensores, sob o pretexto de combater o terrorismo’’, sublinhou.

Rouhani observou que o discurso do ódio e da violência no Oriente Médio e no Norte da África está se espalhando com uma velocidade espantosa. “Os palestinos ainda são atormentados por uma teia de políticas de apartheid e atrocidades estabelecidas pelo regime sionista usurpador.”

Ele também disse que, “se o governo saudita é comprometido com a sua visão de desenvolvimento e segurança regional, as autoridades devem cessar e desistir de políticas de divisão, bem como da propagação da ideologia do ódio”.

“O Irã se opõe a qualquer tipo de sectarismo e qualquer tentativa de promover lacunas religiosas. Os povos muçulmanos, sejam eles xiitas ou sunitas, viveram e continuam vivendo juntos durante séculos em harmonia e respeito mútuo”, frisou.

Segundo Rouhani, o Plano Integrado de Ação Conjunta (JCPOA) confirmou a natureza pacífica do programa nuclear do Irã através da elaboração de mecanismos de reforço da confiança, fechando o chamado arquivo “de possível dimensão militar” e restabelecendo o direito do país de desenvolver um programa nuclear pacífico.

De acordo com ele, o acordo também colocou fim às preocupações infundadas e levou à remoção das sanções brutais contra o Irã.

“E, hoje, o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aceitaram formalmente o programa nuclear pacífico do Irã. A falta de cumprimento do JCPOA por parte dos Estados Unidos nos últimos meses representa uma abordagem falha que deve ser corrigida”, observou.

No entanto, ele destacou que algumas ações ilegais não são sem precedentes, citando a mais recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de retirar bilhões de dólares de ativos do povo iraniano.

“Essa experiência demonstrou que os grupos de pressão sionistas poderiam ir tão longe como o Congresso dos Estados Unidos, que passou legislações indefensáveis e forçou a mais alta instituição judicial americana a violar as normas do direito internacional”, disse.

Ele observou ainda que, apenas oito meses após a retirada das sanções impostas ao país, a economia do Irã, como o destino de investimento mais seguro e mais rentável da região, está mostrando clara melhora.

“A taxa de crescimento econômico ultrapassou 4% na primavera de 2016; a taxa de inflação caiu para um dígito; e o Irã chegou próximo ao nível de produção de petróleo e exportação alcançado antes das sanções. Estamos assistindo a um maior desenvolvimento nos domínios econômico, científico e tecnológico no Irã”, concluiu.