Investimento estrangeiro direto caiu 23% no Brasil em 2016, estima UNCTAD

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

O fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) teve queda de 23% no Brasil em 2016, enquanto no mundo o recuo foi de 13%, informou relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

“É particularmente preocupante a forte queda dos investimentos em projetos industriais, que têm papel importante na melhora da produtividade dos países em desenvolvimento”, disse o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi.

Indústria brasileira. Foto: EBC

Indústria brasileira. Foto: EBC

A recessão econômica na América Latina e no Caribe, somada à fraqueza dos preços das commodities, provocou uma queda de 19% do fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) na região em 2016, para 135 bilhões de dólares, estimou nesta quarta-feira (1) relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Na América do Sul, houve fortes quedas principalmente no Brasil (de 65 bilhões para estimados 50 bilhões de dólares, baixa de 23%) e no Chile (de 16 bilhões para estimados 11 bilhões de dólares, redução de 31%). Na América Central, apesar de seu desempenho econômico relativamente melhor, os fluxos também caíram devido a um declínio de 20% no México (de 33 bilhões para 26 bilhões de dólares).

No mundo, o fluxo de investimento estrangeiro direto caiu 13% no ano passado, para estimado 1,52 trilhão de dólares, enquanto o crescimento da economia global permaneceu fraco e os volumes do comércio internacional tiveram ganhos anêmicos.

“A recuperação do IED continua aos sobressaltos. É particularmente preocupante a forte queda dos investimentos em projetos industriais, que têm papel importante na melhora da produtividade dos países em desenvolvimento”, disse o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi.

“Olhando para frente, os fundamentos econômicos indicam um potencial aumento dos fluxos de investimento estrangeiro direto em cerca de 10% em 2017”, estimou Kituyi. “No entanto, incertezas significativas sobre o futuro das políticas econômicas podem dificultar o IED no curto prazo”.

O declínio do IED em 2016 não foi igualmente compartilhado entre as regiões, refletindo o impacto heterogêneo do atual ambiente econômico nos países do mundo. Os fluxos de IED para a Europa caíram 29%, para estimados 385 bilhões de dólares, com diversos países registrando forte volatilidade.

A queda na Europa foi balanceada por um crescimento modesto dos fluxos para a América do Norte (6%) e um considerável aumento no investimento em outras economias desenvolvidas, principalmente Austrália e Japão.

A desaceleração do crescimento econômico e a queda dos preços das commodities pesaram sobre o IED nos países em desenvolvimento. Os fluxos para essas economias caíram 20% (para estimados 600 bilhões de dólares) devido a significativas quedas nos países em desenvolvimento da Ásia e da América Latina.

Apesar disso, as economias em desenvolvimento continuam respondendo por metade das dez principais economias a receber esses fluxos financeiros. O IED para economias em transição (Sudeste da Europa, ex-repúblicas soviéticas) subiu 38%, para estimados 52 bilhões de dólares.

A onda de fusões e aquisições internacionais também mostrou sinais de declínio. Um aumento de 13% do valor da venda das vendas líquidas, que subiram para 831 bilhões de dólares, é pálido quando comparado aos avanços de 67% e 68% registrados em 2014 e 2015.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).


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