Intensificação dos conflitos deixa milhares de deslocados na República Centro-Africana, alerta ACNUR

Segundo a agência da ONU para refugiados, a maioria dos deslocados é composta por cristãos, principalmente mulheres e crianças.

Deslocados internos centro-africanos se reúnem para coletar água. As necessidades dos novos deslocados são grandes. Foto: ACNUR/A.Greco

Deslocados internos centro-africanos se reúnem para coletar água. As necessidades dos novos deslocados são grandes. Foto: ACNUR/A.Greco

A intensificação dos conflitos na República Centro-Africana (RCA) provocou novos deslocamentos no conturbado país, com milhares de pessoas fugindo de suas casas, relatou nessa sexta-feira (16) a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

“Em 2 de maio, mais de 23 mil pessoas se deslocaram na região de Kaga Bandoro, quase o dobro de pessoas contabilizadas um mês antes”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, a jornalistas em Genebra. “Devido aos combates que ocorreram na semana passada, mais pessoas tiveram que deixar suas casas. No entanto, as agências de ajuda humanitária estão impedidas de verificar os números exatos”, acrescentou.

A maioria dos deslocados é composta por cristãos, principalmente mulheres e crianças. Muitos dos homens estão se escondendo devido ao medo de serem atacados pelos grupos armados. Treze mortes foram relatadas em meio aos conflitos do dia 9 de maio. A maior parte dos deslocados está concentrada em várias áreas da igreja em Dekoa, uma cidade ao sul de Kaga Bandoro.

“Esses deslocados precisam urgentemente de proteção física, comida, itens não alimentares, água, saneamento e outros tipos de assistência”, disse Edwards. Embora se tenha fornecido alimentos para essas pessoas, por meio das agências parceiras do ACNUR, elas estão consumindo suas reservas alimentares muito rápido e não estão cultivando em seus campos devido ao medo de ataques. Além disso, um alto índice de diarreia está sendo observado entre as crianças.

Nem todos os deslocados são novos ou estão nessa condição pela primeira vez. Entre os deslocados internos (IDPs, na sigla em inglês) estão alguns que não conseguiram retornar para suas casas desde fevereiro, após terem suas aldeias atacadas. Muitos vivem se deslocando e se escondendo na mata, o que torna difícil a obtenção de ajuda.

O ACNUR, em colaboração com outras agências da ONU, está fornecendo abrigos e assistência não alimentar, incluindo lonas, cobertores, colchões, kits de cozinha, baldes e galões. “Continuamos a reiterar a todas as partes nesse conflito que permitam o acesso aos deslocados internos para que se possa entregar ajuda humanitária”, disse Edwards.

Novos deslocamentos também estão acontecendo no noroeste da RCA. Edwards disse que o ACNUR registrou 2.445 deslocados em Paoua, na província de Ouham Pendé, depois dos ataques que ocorreram no início do mês de maio próximo à cidade. Pessoas estão fugindo para a mata na vizinhança da província de Ouham depois dos ataques da última terça-feira (13) na cidade de Markounda.

Dada a proximidade dessas áreas com o Chade, o ACNUR pediu para as autoridades chadianas que continuem permitindo o acesso das pessoas que estão fugindo da RCA para o seu território, bem como propiciem acesso aos procedimentos de asilo, pois elas precisam de segurança. “Nós apreciamos que tantas pessoas tenham sido capazes de buscar refúgio lá – cerca de 8 mil desde dezembro”, disse Edwards.

A situação em Bangui difere das demais localidades da RCA. Apesar da situação volátil da segurança, alguns deslocados internos têm gradualmente voltado. Na terça-feira (13), havia 135.050 deslocados internos vivendo em 43 lugares na capital, em comparação com os 142.635 da semana anterior.

Em toda a RCA, o número de deslocados internos, atualmente, é estimado em 560 mil, incluindo 135.050 pessoas em Bangui, enquanto mais de 115.500 centro-africanos fugiram para Camarões, Chade, República Democrática do Congo e República do Congo desde dezembro.

(Por Aikaterini Kitidi em Bangui, na República Centro-Africana, para o ACNUR)