Iniciativa Financeira do PNUMA promove evento para discutir oportunidades de negócios sustentáveis

O evento 2019 da UNEP-FI debateu a importância de integrar questões ambientais, sociais e de governança nas estratégias e no dia a dia dos negócios. Foto: PNUMA.

A cidade de São Paulo sediou, nos dias 14 e 15 de outubro, a edição 2019 da Mesa Redonda Regional da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI, na sigla em inglês).

O evento, realizado em parceria com a Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN), reuniu mais de 320 participantes, de 19 países da América Latina e Caribe, para discutir sobre os principais desafios para o desenvolvimento da região e as oportunidades de negócio trazidas pela economia de baixo carbono.

Mesa Redonda Regional

Os dois dias de encontro foram marcados por palestras e painéis de alto nível, ministrados por especialistas do setor público e privado em finanças sustentáveis, como Adalberto Felinto, Secretário Executivo do Banco Central do Brasil (BACEN), e Murilo Portugal, Presidente da Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN).

O evento possibilitou discussões sobre os principais desafios para o desenvolvimento na América Latina e Caribe e as oportunidades de negócio trazidas pela economia de baixo carbono.

As discussões abordaram diversos aspectos da sustentabilidade, como a integração de riscos Ambientais, Sociais e de Governança (ESG) nas análises de crédito, investimento e seguros; o desenvolvimento do mercado regional de títulos verdes; a importância da regulação na criação de uma economia sustentável; e o impacto da adesão das instituições financeiras aos Princípios para Responsabilidade Bancária das Nações Unidas.

O coordenador geral da UNEP-FI, Eric Usher, explica que encontros como esse permitem discutir as questões mais críticas em relação à sustentabilidade e às mudanças climáticas, permitindo uma reflexão por parte dessas instituições sobre “qual é o impacto que suas atividades têm no desenvolvimento econômico sustentável da região”.

Para Usher, “uma das questões-chave para o setor financeiro é se ele irá esperar o futuro acontecer ou se terá um papel ativo na criação conjunta desse futuro”.

Oportunidades de negócios sustentáveis na Amazônia Brasileira

Paralelamente ao evento principal, o escritório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) no Brasil promoveu o encontro “Oportunidades de negócios sustentáveis na Amazônia Brasileira”.

A mesa deu enfoque às concessões de manejo florestal em áreas públicas e em projetos de manejo em áreas privadas da Amazônia, como referência para um modelo de desenvolvimento de base florestal.

A Representante do escritório do PNUMA no Brasil, Denise Hamú, realizou a abertura do evento paralelo, ressaltando a importância da implementação de iniciativas que levem a Amazônia a um salto de desenvolvimento sustentável, com escala suficiente para propiciar melhoria na qualidade de vida das populações locais – tanto nas áreas florestais remotas, como em áreas urbanas da região.

Em seguida, participaram dos painéis Aline Tristao, Diretora Executiva do Forest Stewardship Council (FSC); Paulo Carneiro, Diretor de Concessões Florestais do Serviço Florestal Brasileiro; Jorge Andre Gildi dos Santos, do Banco do Brasil; Justiniano Netto, da Associação Brasileiros dos Concessionários Florestais; e Lilia Figueiredo, da Agência Brasileira da Inovação (FINEP).

Entre os temas abordados pelos panelistas estiveram a cadeia de valor das operações de manejo florestal sustentável no estado de Mato Grosso; oportunidades e desafios dos negócios com concessões de florestas pública;s e oportunidades de inovação da bioeconomia de recursos florestais.

Títulos verdes

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou uma plataforma que reúne informações sobre as emissões de títulos verdes feitas na América Latina e no Caribe.

A plataforma fará o monitoramento, a verificação e reportará a destinação das receitas e os impactos gerados pelos títulos verdes de acordo com indicadores de performance específicos definidos no prospecto da emissão.

O objetivo é estimular o desenvolvimento do mercado por meio da transparência das operações e da padronização dos dados, tanto para atrair novos investidores quanto para aumentar a confiança dos que já operam na região.

Seguros sustentáveis

Entre as pautas estiveram também a trajetória dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI, na sigla em inglês) no Brasil, e a discussão sobre a importância de integrar questões ambientais, sociais e de governança nas estratégias e no dia a dia dos negócios.

A transversalidade da agenda de sustentabilidade em relação a outros temas estratégicos para o mercado, como os Seguros Inclusivos, a proteção do consumidor e a diversidade e inclusão também foram abordados.

Proteção dos Patrimônios da Humanidade

Durante o evento ocorreu ainda o lançamento do Guia de Proteção dos Patrimônios da Humanidade pelo Setor de Seguros, elaborado pela Iniciativa dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), em parceria com a Organização para Educação, Ciência e Cultura da ONU (UNESCO) e a World Wide Fund for Nature (WWF).

O Guia apresenta os princípios projetados para orientar os bancos a alinharem estrategicamente seus negócios aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), além de outras estruturas internacionais, regionais e nacionais.

Os princípios já foram firmados por mais de 131 instituições do setor financeiro ao redor do mundo, 22 na América Latina, totalizando 47 trilhões de dólares em ativos.

Também foram apresentadas duas novas ferramentas que podem ser utilizadas pelas instituições.

A primeira contribui com o processo de identificação dos impactos relevantes dos portfolios dos bancos para que assim possam definir suas próprias metas. A segunda é focada na identificação, análise e monitoramento dos impactos dos portfolios corporativos de crédito e investimento.