Indústria discute uso de gás que não agride camada de ozônio

Em São Paulo (SP), empresários e técnicos de todo o país participaram de workshop sobre aplicação das hidrofluorefinas (HFOs) em equipamentos de refrigeração comercial. Substâncias são alternativas a compostos que ameaçam a camada de ozônio.

Encontro na capital paulista foi promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Organização das Nações Unidas para Desenvolvimento Industrial (UNIDO).

Evento fez parte de série de capacitações sobre fluidos frigoríficos alternativos aos HCFCs, substâncias capazes de destruir a camada de ozônio. Foto: UNIDO

Evento fez parte de série de capacitações sobre fluidos frigoríficos alternativos aos HCFCs, substâncias capazes de destruir a camada de ozônio. Foto: UNIDO

A indústria de equipamentos de refrigeração poderá usar substâncias que não agridem a camada de ozônio como alternativa aos gases utilizados atualmente. Os detalhes sobre a aplicação de uma dessas substâncias, as hidrofluorefinas (HFOs), foram apresentados na última quinta-feira (13) a técnicos e empresários do setor, em workshop promovido em São Paulo (SP) pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Organização das Nações Unidas para Desenvolvimento Industrial (UNIDO).

Este foi o último de um ciclo de três eventos realizados com o setor produtivo de refrigeração comercial para debater substâncias alternativas no segmento. Os workshops anteriores abordaram a aplicação de CO2 e de propano R-290 como fluidos frigoríficos.

A capacitação sobre o uso das HFOs como fluido frigorífico foi realizada no marco do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs, conhecido pela sigla PBH. A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente para controlar e banir substâncias que destroem a camada de ozônio.

Agora, as empresas poderão decidir qual das três substâncias é a mais adequada para o seu equipamento. A gerente de projetos da UNIDO, Sérgia Oliveira, avaliou como positivo o resultado das capacitações. “Foi possível observar o crescimento dos representantes das empresas ao longo desse período. Esse é um processo de crescimento em que todos do setor devem estar juntos”, afirmou.

Entre as três opções, a escolha levará em conta fatores como os custos e o grau tóxico e inflamável de cada substância. “É importante, por isso, que a indústria tenha mais de uma opção”, observou o professor Enio Bandarra, da Universidade Federal de Uberlândia.

Os benefícios das HFOs

Além de serem inofensivas ao ozônio, as HFOs apresentam baixo fator de aquecimento global e, por isso, têm pouco impacto no aumento da temperatura média do planeta.

A economia de energia e a maior eficiência dos equipamentos também estão entre os benefícios listados pelo empresariado. A engenheira de alimentos Joana Canozzi, uma das representantes do setor privado, deu como exemplo os casos de supermercados que reduziram o consumo energético e os impactos ambientais das lojas ao implementar as HFOs nos sistemas de refrigeração.

Os pontos positivos das HFOs também foram apontados pelo especialista Gustavo Pottker, outro representante do setor privado. Em sua apresentação, Pottker destacou informações técnicas sobre a aplicação de fluidos e fez comparativos de usos de diferentes substâncias e dos níveis de impactos ambientais.

Cuidados no manuseio do gás

O evento discutiu ainda as precauções que devem ser tomadas durante o manuseio do gás. Os especialistas que apresentaram os tópicos teóricos das HFOs foram unânimes em relatar a importância dos aspectos de segurança nas condições do ambiente e dos equipamentos para o manuseio do fluido.

Evento reuniu representantes do setor privado para discutir as particularidades das HFOs, substâncias que não agridem a camada de ozônio. Foto: UNIDO

Evento reuniu representantes do setor privado para discutir as particularidades das HFOs, substâncias que não agridem a camada de ozônio. Foto: UNIDO

Um fator citado como preocupante pelas empresas presentes foi a disponibilidade do produto no mercado. As fabricantes do fluido relataram a existência de diferentes HFOs. Segundo as companhias, essas substâncias estão sendo introduzidas no mercado, apesar de ainda apresentarem um custo bem mais elevado em comparação com outros fluidos — podendo alcançar valores até três vezes mais altos.

A UNIDO afirmou que as atividades para aprimorar o conhecimento das empresas de refrigeração comercial sobre os fluidos frigoríficos alternativos aos HCFCs devem continuar no segundo semestre de 2019. A agência da ONU disse ainda que pretende trazer casos reais de experiência de desenvolvimento tecnológico realizado no Brasil com empresas de pequeno, médio e grande porte.