Índice de preços de alimentos da FAO registra menor patamar desde 2010

Queda no preço do açúcar reflete o otimismo sobre as perspectivas de produção brasileira para 2015. Preço da carne também caiu, em parte, graças à desvalorização do real.

Produção de ceral na França. Foto: FAO/Oliver Thuillier

Produção de ceral na França. Foto: FAO/Oliver Thuillier

O preço dos alimentos apresentou seu menor patamar em 55 meses em fevereiro, com queda de 1% em relação a janeiro e retração de 14% no seu nível em comparação ao mesmo mês no ano de 2014, informou nesta quinta-feira (05) a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

O contínuo declínio – alcançando o menor índice desde 2010 – reflete a ampla oferta e a desvalorização de diversas moedas em relação ao dólar americano, confirmou o especialista em mercado de gado e laticínios da FAO, Michael Griffin. Ele também destacou a perspectiva favorável de produção de uma série de produtos em 2015 e o amplo estoque disponível, principalmente de cerais.

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha preços dos cinco principais grupos de commodities de alimentos nos mercados internacionais – cereais, açúcar, carne, laticínios e óleos de vegetais, teve uma média de 179,4 pontos em fevereiro -, diante de 181,2 pontos em janeiro e 208,6 pontos em fevereiro de 2014.

O açúcar registrou a maior queda, com índice de preços registrando uma média de 207,1 pontos em fevereiro, caindo 4,9% comparado a de janeiro. Essa redução no preço do açúcar reflete o otimismo sobre as perspectivas de produção no Brasil, bem como a decisão da Índia de subsidiar as exportações com o objetivo de impulsionar as vendas de açúcar no exterior, segundo a FAO.

Registrando média 187,4 pontos em fevereiro, o índice de preço da carne também teve queda, de 1,4% no seu valor comparado a janeiro. O preço da carne de carneiro diminuiu, em grande parte devido à valorização do dólar em relação ao real e ao dólar australiano. O preço da carne de suíno subiu pela primeira vez em oito meses, ajudado por decisão da Europa para fornecer auxílio à armazenagem privada no setor.

A FAO também elevou sua estimativa de produção de cereais no mundo em 2014, com a maior parte do aumento refletida pelos ganhos de produção de trigo na Argentina, Ásia Central e Europa. Em todo o mundo, 1,1 bilhão de toneladas de cereais estão previstos para serem usados como alimento de consumo em 2014/15.