Imposto sobre operações financeiras globais poderia arrecadar até 661 bilhões de dólares, afirma CEPAL

América Latina e Caribe receberiam até 46 bilhões de dólares – 1,2% do PIB regional –, caso um imposto deste tipo fosse implementado. Os recursos ajudariam a financiar o desenvolvimento e o combate à mudança climática.

América Latina e Caribe poderiam receber até 46 bilhões por ano caso um imposto sobre as transações financeiras globais se tornasse realidade. A aplicação desses recursos, no curto prazo, teria como objetivo prioritário financiar o desenvolvimento e medidas de combate à mudança climática.

A proposta foi defendida na última quarta-feira (24/08) pela Secretária Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena. De acordo com as estimativas da Comissão Regional, no caso do imposto incidir amplamente sobre operações como compra e venda de ações, por exemplo, o potencial de arrecadação chega a ser de 661 bilhões de dólares em todo o mundo, usando-se uma taxa de 0,05%.

Na semana passada, França e Alemanha defenderam a necessidade de implementar um imposto semelhante na Europa, com o argumento de que traria benefícios para a integração e a coordenação das políticas econômicas na zona do euro. Para a CEPAL, a proposta é um passo na direção certa, mas deve ter aplicação global.

O imposto sobre operações financeiras tem o respaldo internacional. Em abril deste ano, cerca de mil economistas, representando 53 países, enviaram uma carta ao G20, grupo que congrega as grandes potências e economias emergentes, pedindo a implementação do imposto. A CEPAL acredita que o uso deste instrumento fiscal seria um avanço no esforço de reduzir a volatilidade financeira no mundo.