Impasse após golpe militar na Guiné-Bissau piora condições de vida da população, diz enviado da ONU

“Enquanto as negociações para a solução da crise continuam, as necessidades da população na Guiné-Bissau são deixadas de lado”, disse Joseph Mutaboba.

Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba.(ONU/Eskinder Debebe).A atual crise política na Guiné-Bissau está piorando as condições de vida dos seus cidadãos, disse nesta segunda-feira (07/05) o Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba. Ele ainda ressaltou que é necessária uma solução inclusiva e sustentável entre todas as partes para pôr fim ao tumulto.

“Enquanto as negociações para a solução da crise continuam, as necessidades da população na Guiné-Bissau são deixadas de lado”.

Soldados na Guiné-Bissau – país com histórico de golpes, instabilidade e desgoverno político desde que ganhou a independência de Portugal em 1974 – tomaram o poder no dia 12 de abril, em um golpe militar. “Como resultado da crise política, o pagamento de salários dos funcionários públicos foi adiado e na ausência de um governo, a temporada de comércio de caju, produto crucial para a economia e subsistência da população, foi interrompida”, disse Mutaboba, em reunião do Conselho de Segurança da ONU.

De acordo com avaliações realizadas pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), o impacto da situação nas regiões de Oio, Quinara, Gabu, Bafatá e Cacheu indicou que a castanha de caju está sendo negociada por um preço menor do que o acordado. Isto está afetando seriamente o rendimento da população que depende desse produto de exportação para ganhar a vida.

Em seu discurso na reunião do Conselho , a Presidenta da Configuração da Comissão de Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, a Embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, pediu a libertação de todos os detidos ilegalmente e enfatizou a importância do restabelecimento da ordem constitucional. “O primeiro passo para a maior reconciliação nacional na Guiné-Bissau deve ser o respeito pelo Estado de Direito e a restauração da ordem constitucional”, ressaltou Viotti.