Imobilismo é inaceitável no combate à violência de gênero, diz ONU Mulheres

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O preço do imobilismo no combate à violência de gênero é inaceitável, disse nesta sexta-feira (25), Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka.

“Deveríamos poder esperar que todos os agressores fossem devidamente responsabilizados, que se fizesse justiça e que recebêssemos cuidados e apoio pela violência sofrida”, disse Phumzile. “Mas ainda são muitos os países onde as leis não são adequadas, onde as polícias não têm interesse em coibir essas violências, onde não há acolhimento disponível, cuidados de saúde ou apoio”, declarou.

Phumzile Mlambo-Ngcuka, subsecretária-geral da ONU e diretora executiva da ONU Mulheres. Foto: ONU/Devra Berkowitz

Phumzile Mlambo-Ngcuka, subsecretária-geral da ONU e diretora executiva da ONU Mulheres. Foto: ONU/Devra Berkowitz

O preço do imobilismo no combate à violência de gênero é inaceitável, disse nesta sexta-feira (25), Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka.

“Deveríamos poder esperar que todos os agressores fossem devidamente responsabilizados, que se fizesse justiça e que recebêssemos cuidados e apoio pela violência sofrida”, disse Phumzile. “Mas ainda são muitos os países onde as leis não são adequadas, onde as polícias não têm interesse em coibir essas violências, onde não há acolhimento disponível, cuidados de saúde ou apoio”, declarou.

“Se mudar todos esses elementos tem um custo, o preço do imobilismo é inaceitável”, completou.

A diretora-executiva da ONU Mulheres disse acreditar ser possível um mundo no qual mulheres e meninas possam se realizar e prosperar em paz e do mesmo modo que os homens e meninos, beneficiando-se de sociedades que valorizem suas habilidades e aceitem sua liderança.

Segundo ela, a violência contra mulheres e meninas tem consequências devastadoras para todas as pessoas e para a sociedade, enquanto cerceia as liberdades que todos deveriam desfrutar, entre elas o direito à segurança em casa, a caminhar pelas ruas, à escolaridade, ao trabalho, a acessar o Estado.

Os benefícios de se pôr fim à violência contra mulheres e meninas excedem os investimentos necessários, disse Phumzile. “Sabemos que esses investimentos, se oportunos e bem dirigidos, ainda que sejam em pequena escala, podem aportar benefícios enormes para as mulheres e as meninas, assim como para suas comunidades em geral”.

Ela citou como exemplo o Timor-Leste, que criou um programa de três anos para fornecer um pacote de serviços essenciais para mulheres vítimas de violência. O custo do projeto era de menos de 1% do PIB, mas seu impacto foi significativo em sua saúde e bem-estar.

Em Uganda, um programa reuniu mulheres, homens, líderes comunitários e religiosos para mudar normas sociais, o que acabou se traduzindo em uma redução de 52% da violência praticada por companheiros ou cônjuges, lembrou.

“Estes avanços trazem à tona métodos práticos que nos permitem avançar. Podemos realizar grandes progressos no tratamento dos problemas de desigualdade e dos preconceitos existentes e subjacentes às nossas próprias sociedades, que permitem e incitam a violência contra mulheres e meninas.”

“Podemos aumentar as ações para prevenção e ampliar os serviços adequados. Podemos fazer com que a curva tenda a baixar e ponhamos fim a um vício que perpetua a violência contra mulheres e meninas. Dessa forma, adotamos um compromisso e realizamos investimentos, tanto em escala nacional como internacional”, declarou.

De acordo com Phumzile, a violência está tão arraigada nas sociedades, que sua eliminação é uma tarefa que compete a todos. Para mudar a cultura também é necessário contar com a participação de homens, meninos, grupos religiosos, jovens, usando canais como esporte, arte, atividade empresarial, academia e fé para nos “conectar com esses aliados e convencê-los”.

“A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável nos fornece ferramentas com as quais podemos alcançar tudo isso. Seus ambiciosos objetivos precisam de soluções inovadoras e novas alianças para mobilizar recursos procedentes, inclusive, de outros governos nacionais, da assistência internacional para o desenvolvimento, de empresas privadas, e de entidades filantrópicas e de indivíduos”, disse.

“Hoje, no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, rememoramos essa agenda universal acordada por todos os países, e assim reconheçamos a relação intrínseca entre os avanços em todas essas frentes e nosso compromisso em alcançá-los.”


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