Igualdade de gênero no trabalho continua insuficiente, diz OIT

Em muitas partes do mundo, as mulheres estão muitas vezes em empregos informais e com baixas remunerações; não têm acesso a educação, formação, recrutamento; têm pouco poder de negociação e decisão; e ainda assumem a responsabilidade pela maior parte dos trabalhos de casa não remunerados.

No Dia Internacional da Mulher 2015, em Maceió (Alagoas), o ato 'Todos Por Elas' pediu o fim da violência contra a mulher. Foto: Márcio Ferreira/ Agência Alagoas

No Dia Internacional da Mulher 2015, em Maceió (Alagoas), o ato ‘Todos Por Elas’ pediu o fim da violência contra a mulher. Foto: Márcio Ferreira/ Agência Alagoas

Duas décadas após a IV Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Pequim, na China, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece que ainda é preciso avançar em termos de respeito à igualdade de gênero no trabalho.

Em termos políticos, legislativos e de ratificação de normas internacionais, a agência da ONU destaca um notável progresso. Em 1995, 126 Estados-membros da OIT haviam assinado a Convenção sobre Igualdade de Remuneração e 122 países haviam ratificado a Convenção contra a Discriminação. Esses números são agora 171 e 172, respectivamente.

No entanto, as mulheres continuam a sofrer discriminação generalizada e desigualdade no local de trabalho. Em muitas partes do mundo, as mulheres estão muitas vezes em empregos informais e com baixas remunerações; não têm acesso a educação, formação, recrutamento; têm pouco poder de negociação e decisão; e ainda assumem a responsabilidade pela maior parte dos trabalhos de casa não remunerados.

Globalmente, a diferença nas taxas de participação no mercado de trabalho entre homens e mulheres diminuiu muito pouco desde 1995. Atualmente, cerca de 50% de todas as mulheres estão trabalhando, em comparação com 77% dos homens. Em 1995, esses números foram de 52% e 80%, respectivamente.

Segundo um recente estudo da OIT, a maternidade também tem imposto uma penalização salarial em comparação às mulheres sem filhos. E 41% delas ainda não têm acesso à licença-maternidade de 14 semanas ou mais.

As mulheres hoje são donas ou gerenciam mais de 30% de todas as empresas, mas tendem a se concentrar em micro e pequenas empresas. Apenas 5% dos CEOs das maiores empresas do mundo são mulheres.

Ainda de acordo com a OIT, a violência continua sendo uma forte ameaça contra a dignidade das mulheres e o acesso ao trabalho digno. Cerca de 35% das mulheres no mundo foram vítimas de violência física ou sexual, o que afeta a participação dessa população no trabalho. A disparidade salarial também persiste para as mulheres com ou sem filhos. Em geral, elas ganham, em média, 77% da renda salarial dos homens. Nesse ritmo, sem uma ação orientada, a igualdade de remuneração entre homens e mulheres não será alcançada antes de 2086, ou, pelo menos, 71 anos a partir de agora.

“A OIT lançou o centenário da mulher no trabalho para acelerar esses esforços globais no enfrentamento desses desafios para o avanço da agenda de empoderamento das mulheres, incluída na proposta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Essa mudança não irá ocorrer sozinha. Ela exige intervenções políticas corajosas e específicas”, disse Shauna Olney, chefe de Gênero, Igualdade e Diversidade da OIT.

O Pacto Global e os direitos das mulheres

Os princípios do Pacto Global da ONU reafirmam a importância do respeito aos direitos humanos e do trabalho, entre eles a necessidade de eliminar a discriminação no emprego. Em complemento a esse compromisso, as empresas são convidadas a assinar os Princípios para o Empoderamento das Mulheres (Women’s Empowerment Principles – WEPs), uma iniciativa apoiada pela ONU Mulheres.

No dia 24 de março, a Rede Brasileira do Pacto Global e a ONU Mulheres promovem um encontro das instituições signatárias dos WEPs em São Paulo. O evento irá compartilhar experiências em relação à aplicação dos princípios no dia a dia das empresas e apresentar a opinião de CEOs sobre o tema. Conheça os detalhes em http://bit.ly/1EvZTSY