Iêmen: programa alimentar da ONU aumenta assistência para alcançar 9 milhões de pessoas

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), a nova operação de emergência vai requerer 1,2 bilhão de dólares ao longo de um ano; agência corre contra o tempo para obter recursos e salvar vidas. Relator especial da ONU para os direitos humanos e sanções internacionais pediu o fim imediato de todos os bloqueios que contribuem com a catástrofe de fome no país.

Em Mazrak, no Iêmen, uma menina de cinco anos de idade usa pulseira rosa para ser identificada com desnutrição aguda. Foto: ACNUR / Hugh Macleod

Em Mazrak, no Iêmen, uma menina de cinco anos de idade usa pulseira rosa para ser identificada com desnutrição aguda. Foto: ACNUR / Hugh Macleod

O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) informou nesta quarta-feira (12) que está aumentando as operações de emergência no Iêmen para fornecer assistência alimentar urgente a cerca de 9 milhões de pessoas em necessidade no país.

De acordo com a agência das Nações Unidas, a nova operação de emergência vai requerer 1,2 bilhão de dólares ao longo de um ano e permitirá que o PMA aumente a sua assistência gradualmente para alimentar todas as pessoas com insegurança alimentar.

“Nós estamos em uma corrida contra o tempo para salvar vidas e prevenir a fome em grande escala, mas precisamos urgentemente de recursos para fazer isso”, disse o representante do PMA no país, Stephen Anderson.

“A situação está chegando perto de um ponto de ruptura no Iêmen, com níveis sem precedentes de fome e insegurança alimentar. Milhões de pessoas já não podem sobreviver sem assistência alimentar urgente”, acrescentou.

Com o novo plano, o PMA pretende fornecer assistência alimentar emergencial a cerca de 7 milhões de pessoas classificadas como “altamente inseguras”, além de apoio nutricional para prevenir e tratar cerca de 22 milhões de crianças com desnutrição aguda.

O organismo também vai dar assistência especial a mulheres grávidas e a mães que estão amamentando.

Até que obtenha os fundos necessários, o PMA dará prioridade a 6,7 milhões de pessoas que necessitam de socorro alimentar urgente. Cerca de 2,5 milhões civis – especialmente aqueles nas regiões mais atingidas pela insegurança alimentar, como Taiz, Hodeidah, Lahj, Abyan e Sa’ada – receberão um pacote de assistência para evitar a fome.

Um segundo grupo prioritário de 4,2 milhões de pessoas receberá um suprimento alimentar reduzido, que compreende 60% da cesta completa de alimentos.

“Temos de assegurar recursos urgentes para atender as necessidades das 9 milhões de pessoas que sofrem de insegurança alimentar grave no Iêmen, assim como as milhões de crianças e mulheres desnutridas”, acrescentou Anderson. “Até que possamos fazer isso, temos que espalhar o que temos para garantir que estamos ajudando as pessoas que estão no risco mais imediato de fome.”

‘Pôr fim a bloqueios é essencial para acabar com a catástrofe da fome’

O relator especial da ONU para os direitos humanos e sanções internacionais, Idriss Jazairy, pediu também nessa semana (12) o fim imediato de todos os bloqueios que contribuem com a catástrofe de fome no país.

“As restrições injustificadas sobre o fluxo de bens e serviços comerciais e humanitários no Iêmen e o impedimento da distribuição de ajuda no país estão paralisando uma nação que há muito tempo é vítima de guerra”, frisou.

Pessoas deslocadas dos recentes combates em Mokha, na região de Taizz, no Iêmen, recebendo assistência de emergência do ACNUR. Foto: ACNUR / Adem Shaqiri

Pessoas deslocadas dos recentes combates em Mokha, na região de Taizz, no Iêmen, recebendo assistência de emergência do ACNUR. Foto: ACNUR / Adem Shaqiri

Segundo o especialista, o bloqueio envolve uma variedade de restrições regulatórias, em grande parte arbitrárias, impostas pelas forças da coalizão – incluindo a demora da permissão ou a negação da entrada de navios nos portos iemenitas.

Jazairy afirmou que essas medidas equivalem a uma medida coercitiva unilateral no âmbito do direito internacional.

‘Vidas continuam sendo perdidas devido a doenças evitáveis’

Após visita à cidade de Taiz, no Iêmen, o coordenador humanitário da ONU no país, Jamie McGoldrick, destacou na terça-feira (11) alguns retrocessos no setor de saúde da região.

De acordo com o chefe humanitário da ONU no Iêmen, uma redução recente nos combates permitiu que uma “aparência de normalidade’’ retornasse à cidade, possibilitando que alguns hospitais funcionassem parcialmente e realizassem pequenos reparos.

No entanto, os gerentes de hospitais locais e membros do comitê de assistência da região advertiram que muitas vidas estão sendo perdidas por conta de doenças evitáveis.

“Hospitais e centros de alimentação lutam para resistir em meio a pagamentos de salários atrasados, insuficiência de suprimentos essenciais e falta de medicamentos. O aumento das taxas de desnutrição, especialmente entre crianças, está agravando a já difícil situação humanitária”, acrescentou.

O coordenador humanitário pediu às partes em conflito que se baseassem no impulso da sua recente visita e apoiassem o estabelecimento de um mecanismo de acesso previsível e regular, de modo a facilitar a prestação de ajuda humanitária às pessoas necessitadas em Taiz.

“Além disso, peço aos envolvidos que garantam que o mecanismo não cubra apenas a cidade de Taiz, mas também ajude a melhorar o acesso humanitário às zonas rurais da província, onde a necessidade é também grande”, concluiu.


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