Iêmen: ONU pode ajudar, mas partes em conflito devem fazer concessões, diz enviado especial

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Um padrão político destrutivo mergulhou o Iêmen na pobreza e na desolação cada vez mais profundas, disse o enviado das Nações Unidas para o país devastado pela guerra, durante reunião no Conselho de Segurança.

O dinheiro que poderia ser utilizado para manter serviços básicos para a população e estimular a economia, afirmou, está financiando uma guerra que deixou 22 milhões de pessoas em necessidade imediata de assistência humanitária.

Em Taiz, Iêmen, pessoas durante um abastecimento de água. Foto: OMS/Iêmen

Em Taiz, Iêmen, pessoas durante um abastecimento de água. Foto: OMS/Iêmen

Um padrão político destrutivo mergulhou o Iêmen na pobreza e na desolação cada vez mais profundas, disse o enviado das Nações Unidas para o país devastado pela guerra, durante reunião no Conselho de Segurança no final de fevereiro (27).

Embora a ONU e a comunidade internacional em geral possam tentar criar um ambiente favorável para um caminho para a paz, os decisores iemenitas devem deter a luta e o derramamento de sangue, disse o enviado especial da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed.

“O conflito degradou gradualmente a economia, os serviços de saúde, a habitação, as estradas e as escolas – tudo o que os iemenitas precisam para viver e prosperar”, destacou Ould Cheikh Ahmed, que deixou o cargo no final de fevereiro.

“Exorto as partes a cessar as hostilidades e reabrir as negociações para um acordo pacífico.”

Ould Cheikh Ahmed disse que o país já estava envolvido em conflito quando assumiu o cargo, em abril de 2015, e que, à medida que o conflito se aprofundou, a miséria socioeconômica também fez do Iêmen a maior crise humanitária do mundo.

Milhares de vidas foram perdidas, e outras milhares tiveram de deixar suas casas. Em todo o país, mais de três quartos da população – o correspondente a mais de 22 milhões de pessoas – necessitam de assistência humanitária, incluindo mais de 8,4 milhões que sofrem com a fome severa.

Os preços dos produtos essenciais no país dispararam, o valor da moeda diminuiu, os salários não são pagos há meses e, em alguns casos, anos, os sistemas de saúde, água e saneamento, serviços básicos e serviços de educação do país estão precarizados. O dinheiro que poderia ter sido utilizado para manter esses serviços e estimular a economia, acrescentou, está financiando a guerra.

Também na reunião, o diretor de Operações do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, também ressaltou que o fim das hostilidades e do envolvimento “significativo” das partes é vital para assegurar uma solução política duradoura.

No entanto, até que isso aconteça, a resposta humanitária é fundamental para salvar vidas, afirmou.

“Garantir o financiamento total para o Plano de Resposta Humanitária de Iêmen de 2,96 bilhões de dólares é uma prioridade máxima”, disse, observando que o Fundo Central de Respostas de Emergência recentemente forneceu 50 milhões de dólares para esforços humanitários no país.


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