Iêmen: ONU pede investigação em meio a ‘catástrofe inteiramente causada pelo homem’

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O chefe dos direitos humanos das Nações Unidas pediu uma investigação internacional independente sobre as alegações de graves violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário no Iêmen. A informação está em um relatório publicado nessa semana (5) em Genebra.

A crise humanitária no Iêmen – com quase 18,8 milhões de pessoas precisando de ajuda humanitária e 7,3 milhões à beira da fome – é resultado direto do comportamento das partes no conflito, incluindo ataques indiscriminados, ataques contra civis e objetos protegidos, cerco, bloqueios e restrições de movimento.

A cidade de Sa'ada, fortemente atingida por ataques aéreos durante o conflito no Iêmen. Foto: OCHA/Philippe Kropf

A cidade de Sa’ada, fortemente atingida por ataques aéreos durante o conflito no Iêmen. Foto: OCHA/Philippe Kropf

O chefe dos direitos humanos das Nações Unidas pediu uma investigação internacional independente sobre as alegações de graves violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário no Iêmen. A informação está em um relatório publicado nessa semana (5) em Genebra.

“Uma investigação internacional contribuiria muito em alertar às partes em conflito de que a comunidade internacional está vigiando e responsabilizando os autores de violações e abusos”, disse o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, durante o lançamento do documento.

“Apelo a todas as partes, as que as apoiam e as que têm influência sobre elas para ter piedade do povo do Iêmen e tomar medidas imediatas para garantir alívio humanitário para civis e justiça para as vítimas de violações”, acrescentou.

De acordo com o relatório, que registra violações e abusos dos direitos humanos e do direito internacional humanitário desde setembro de 2014, tais ações continuam inabaláveis no Iêmen. A população civil sofre profundamente as consequências de uma “catástrofe inteiramente causada pelo homem”, alertou o documento.

Entre março de 2015, quando o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) começou a registrar vítimas civis, e 30 de agosto, pelo menos 5.544 civis foram mortos e outros 8.749 feridos.

As crianças representaram 1.184 dos mortos e 1.592 dos feridos. Os ataques aéreos da coalizão continuaram a ser a principal causa dos incidentes com crianças, bem como as baixas civis em geral. Cerca de 3.233 dos civis foram mortos por forças da Coalizão.

O relatório afirma que, no ano passado, ocorreram ataques aéreos contra funerais e pequenos barcos civis, além de mercados, hospitais, escolas, áreas residenciais e outras infraestruturas públicas e privadas.

Os Comitês Populares afiliados aos Houthis e às unidades do exército leais ao ex-presidente Abdullah Saleh (as forças Houthi/Saleh) foram responsáveis por cerca de 67% dos 1.702 casos de recrutamento de crianças para uso em hostilidades.

O relatório enfatiza que “os esforços mínimos para a responsabilização no ano passado são totalmente insuficientes para responder à gravidade das violações e abusos que continuam todos os dias no Iêmen”, acrescentando que a Comissão Nacional estabelecida para investigar violações dos direitos humanos no Iêmen não é percebida como imparcial.

O relatório aponta que as províncias mais afetadas pelo conflito são Aden, Al-Hudaydah, Sana’a e Taizz.

A crise humanitária no Iêmen – com quase 18,8 milhões de pessoas precisando de ajuda humanitária e 7,3 milhões à beira da fome – é resultado direto do comportamento das partes no conflito, incluindo ataques indiscriminados, ataques contra civis e objetos protegidos, cerco, bloqueios e restrições de movimento, afirma o relatório.

“Em muitos casos, as informações obtidas sugeriram que os civis podem ter sido atacados diretamente ou que as operações foram conduzidas sem levar em conta o impacto sobre os civis, independentemente dos princípios de distinção, proporcionalidade e precauções de ataque. Em alguns casos, informações apontam que nenhuma medida foi tomada para mitigar o impacto das operações em civis”, afirma o relatório.


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