Iêmen: ONU pede a partes em conflitos que libertem crianças-soldado

De acordo com as Nações Unidas, houve o recrutamento de 1.476 crianças, todos meninos, entre 26 de março de 2015 e 31 de janeiro de 2017.

Crianças sentadas em frente a uma escola que foi gravemente danificada no conflito no Iêmen. Foto: UNICEF / Abu Monassar

Crianças sentadas em frente a uma escola que foi gravemente danificada no conflito no Iêmen. Foto: UNICEF / Abu Monassar

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu na terça-feira (28) a todas as partes em conflito no Iêmen que libertem imediatamente as crianças-soldado recrutadas para a guerra no país.

De acordo com a ONU, houve o recrutamento de 1.476 crianças, todos meninos, entre 26 de março de 2015 e 31 de janeiro de 2017.

“Os números provavelmente são muito maiores, já que a maioria das famílias não está disposta a falar sobre o recrutamento de seus filhos por medo de represálias”, disse a porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Ravina Shamdasani, a jornalistas em Genebra.

Ela afirmou que o seu escritório recebeu relatórios numerosos do recrutamento de crianças no país para o uso no conflito armado, a maioria realizada pelos comitês populares afiliados ao Houthis.

“As crianças com menos de 18 anos muitas vezes se juntam à luta depois de serem atraídas por promessas de recompensas financeiras ou status social. Muitos são rapidamente enviados para as linhas de frente do conflito ou tem a tarefa de manter postos de controle”, disse Shamdasani.

Ela recordou a todas as partes que o recrutamento e o uso de crianças em conflitos armados são estritamente proibidos pelo direito internacional humanitário, e que os casos de recrutamento de menores de 15 anos podem constituir um crime de guerra.

Segundo dados da ONU, o conflito no Iêmen, entre março de 2015 e 23 de fevereiro de 2017, registrou 4.667 mortes de civis e deixou 8.180 pessoas feridas.

O porta-voz do UNICEF, Christophe Boulierac, afirmou que a cada 10 minutos uma criança com menos de cinco anos morre no Iêmen devido a doenças evitáveis como diarreia, pneumonia ou sarampo. Ele disse que cerca de 50% das unidades de saúde do país não estavam funcionando.

“A taxa de desnutrição aguda grave em crianças menores de cinco anos triplicou entre 2014 e 2016. Atualmente, existem aproximadamente 2,2 milhões de crianças subnutridas no país, incluindo 462 mil menores que sofrem de desnutrição aguda grave”, disse.

Chefe humanitário da ONU pede apoio a esforços contra a fome

Em visita à cidade de Aden, no Iêmen, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, disse na segunda-feira (27) que as partes em conflito no país devem continuar proporcionando acesso humanitário, e a comunidade internacional precisa aumentar seu financiamento para apoiar as operações de socorro na região.

“Eu vim para Aden com o primeiro voo humanitário da ONU para dar apoio aos agentes humanitários que trabalham nesta cidade e no Iêmen desde a escalada do conflito em março 2015”, disse.

“Hoje, quase 19 milhões de pessoas no Iêmen precisam de ajuda humanitária. Sete milhões de civis não sabem de onde virá a sua próxima refeição e agora enfrentam um sério risco de fome”, acrescentou.

O’Brien afirmou que o propósito de sua visita era também se reunir com autoridades do país a fim de discutir medidas para impedir uma fome possível e para melhor proteger os civis e as infraestruturas do país.

Ele observou que, em Aden e nas províncias vizinhas, 3,1 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária, dois terços das quais precisam desesperadamente de alimentos.

Dada a urgência da situação, ele também destacou a necessidade de facilitar as importações comerciais de alimentos, combustível e medicamentos através de todos os portos do Iêmen, e pediu a retomada dos voos comerciais para todo o país.