Iêmen: alimentos para milhões correm risco de apodrecer em porto do Mar Vermelho

Assistência alimentar para milhões de iemenitas “corre risco de apodrecer” em um importante armazém no Mar Vermelho porque não há condições seguras para se chegar ao local, disseram na segunda-feira (11) o enviado especial das Nações Unidas, Martin Griffiths, e o coordenador de assistência humanitária da ONU, Mark Lowcock.

Com alimentos suficientes para 3,7 milhões de pessoas por um mês, os grãos armazenados podem ajudar o Programa Mundial de Alimentos (PMA) a intensificar assistência alimentar para quase 12 milhões de pessoas no país, em um aumento de 50% em relação a 2018.

Cereais armazenados em Dhubab, província de Taiz, no Iêmen. Cereais do Programa Mundial de Alimentos (PMA) armazenados nos arredores da cidade de Hodeida estão inacessíveis há mais de cinco meses e correm o risco de apodrecer. Foto: OCHA/Giles Clarke

Cereais armazenados em Dhubab, província de Taiz, no Iêmen. Cereais do Programa Mundial de Alimentos (PMA) armazenados nos arredores da cidade de Hodeida estão inacessíveis há mais de cinco meses e correm o risco de apodrecer. Foto: OCHA/Giles Clarke

Assistência alimentar para milhões de iemenitas “corre risco de apodrecer” em um importante armazém no Mar Vermelho porque não há condições seguras para se chegar ao local, disseram na segunda-feira (11) o enviado especial das Nações Unidas, Martin Griffiths, e o coordenador de assistência humanitária da ONU, Mark Lowcock.

Em comunicado conjunto, as autoridades seniores alertaram que a urgência de se chegar aos moinhos do Mar Vermelho na cidade portuária de Hodeida “cresce dia a dia”, mais de cinco meses após o último acesso de agentes humanitários.

“Enfatizamos que garantir acesso aos moinhos é uma responsabilidade compartilhada entre as partes do conflito no Iêmen. Com acesso seguro, irrestrito e contínuo, as Nações Unidas podem tornar disponíveis às pessoas em necessidade estes alimentos urgentemente necessários”, disseram as autoridades, em pedido ao governo do presidente Abd Rabbu Mansour Hadi e às milícias houthis, que lutam por controle geral do país desde o início de 2015.

Com alimentos suficientes para 3,7 milhões de pessoas por um mês, os grãos armazenados podem ajudar o Programa Mundial de Alimentos (PMA) a intensificar assistência alimentar para quase 12 milhões de pessoas no país, em um aumento de 50% em relação a 2018.

Em dezembro, o PMA alcançou um recorde de 10 milhões de pessoas. Até agora, no entanto, forças afiliadas ao movimento houthi, ou Ansar Allah, que controla o porto de Hodeida, não permitiram que a ONU cruzassem linhas de frente para acessar os moinhos, nos arredores da cidade.

Elogiando o “engajamento recente de todos os lados” para criar as condições necessárias para que uma equipe da ONU chegue aos depósitos “sem mais atrasos”, as autoridades seniores também destacaram apreço aos esforços anteriores do movimento houthi para reabrir a estrada que leva aos moinhos, apesar das “circunstâncias difíceis e perigosas”.

“Reconhecemos a confirmação do Ansar Allah de seu compromisso em implementar o Acordo de Hodeida”, disseram, se referindo ao acordo de cessar-fogo assinado entre lados conflitantes na Suécia, em dezembro.

Presidida pelo general Michael Lollesgaard, uma equipe de observadores e monitores com mandato do Conselho de Segurança tenta negociar a retirada de combatentes da cidade portuária tomada pelos houthis, estabilizar o frágil cessar-fogo e abrir novos corredores humanitários.


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