Iêmen: ACNUDH pede suspensão do uso da força contra manifestantes

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediu ao governo do Iêmen que suspenda imediatamente o uso da força contra pessoas que exercem o seu direito ao protesto pacífico, lembrando que mais de 100 pessoas teriam sido mortas desde o início das manifestações.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediu ao governo do Iêmen que suspenda imediatamente o uso da força contra pessoas que exercem o seu direito ao protesto pacífico, lembrando que mais de 100 pessoas teriam sido mortas desde o início das manifestações. O Escritório também pediu às autoridades que cumpram o compromisso assumido anteriormente de estabelecer uma comissão de inquérito sobre as recentes denúncias de assassinatos e abuso por parte de forças do Governo. Isso inclui os incidentes de 18 de março, quando mais de 45 pessoas foram mortas em Sanaã, bem como a repressão violenta dos protestos de ontem (04/04) em Taiz.

“Estamos muito alarmados com os relatos do uso excessivo e desproporcional da força, incluindo metralhadoras, contra manifestantes pacíficos por parte das forças de segurança do Governo em Taiz ontem, que, aparentemente, deixaram pelo menos 15 mortos e dezenas de feridos,” disse o porta-voz do ACNUDH, Rupert Colville, em coletiva de imprensa em Genebra. Também foram considerados “preocupantes” relatos de detenções, abusos e expulsões de defensores dos direitos humanos e jornalistas no Iêmen. Colville cobrou que o Governo suspenda os ataques a minorias, em especial ao grupo marginalizado comumente referido como “Akhdam”.

“Apelamos ao Governo que atenda aos pedidos de reformas dos direitos humanos no país e incentive um diálogo significativo entre o Governo e a oposição, visando atingir um acordo sobre uma via pacífica,” disse o porta-voz.

As principais autoridades da ONU, incluindo o Secretário-Geral, Ban Ki-moon, e a Subsecretária-Geral para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, manifestaram sua preocupação pela situação no Iêmen, onde a violência está piorando devido ao prolongado conflito no norte do país. Ban Ki-moon pediu um diálogo amplo com a oposição política, grupos de jovens e outros elementos da sociedade civil, de modo a se realizarem extensas reformas no país.