‘Ideb mobilizou cidades para direito de aprender’

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram nesta quarta a publicação “Caminhos do Direito de Aprender: Boas Práticas de 26 Municípios que Melhoraram a Qualidade da Educação”.

Fundos das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram nesta quarta a publicação “Caminhos do Direito de Aprender: Boas Práticas de 26 Municípios que Melhoraram a Qualidade da Educação”.

A publicação faz uma análise da trajetória que 26 municípios – um de cada Estado – empreenderam para conquistar importantes avanços no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre 2005 e 2007. Com populações variando de 3.814 (Pejuçara, RS) a 720.070 habitantes (Campo Grande, MS), as cidades selecionadas para o estudo são representativas da realidade e da diversidade brasileira.

O estudo foi feito entre outubro de 2008 e março de 2009 por uma equipe composta por 16 pesquisadores que visitaram as escolas e entrevistaram dirigentes municipais de educação, professores, alunos, pais, funcionários, coordenadores pedagógicos e parceiros das redes de ensino. As entrevistas sempre se iniciavam com uma pergunta: “A que fatores você atribui o avanço do Ideb que o seu município obteve?”. Com base nela, seguiam outros questionamentos com o objetivo de detalhar o que desencadeou os progressos.

A pesquisa foi uma iniciativa do UNICEF e da Undime, em parceria com o MEC e o Inep. Além de ter o Ideb dos anos iniciais do Ensino Fundamental, os municípios selecionados para a pesquisa precisavam estar entre os 5% que mais avançaram no índice de 2005 para 2007 ou constar entre os 20 municípios de maior Ideb em 2007 e ter, no mínimo, três escolas na rede (entre urbanas e rurais). Para dar conta da diversidade brasileira, um município de cada um dos 26 Estados participou da pesquisa. Outra variável, como já dito, foi o tamanho da população. Foram analisados municípios de todas as faixas populacionais.

Desde 2006, UNICEF, Undime, MEC e Inep têm realizado pesquisas para investigar o que está sendo feito de norte a sul do País para assegurar a todas as crianças (e a cada uma delas) o direito de aprender. Diferentemente dos estudos anteriores, Aprova Brasil, de 2006, e Redes de Aprendizagem, de 2008, que identificaram primeiro as escolas e, depois, as redes de ensino que se destacaram pelo bom desempenho, o foco de Caminhos do Direito de Aprender foi o processo. O objetivo do estudo foi identificar práticas e ações que contribuíram para os avanços.

Em todos os estudos, os avanços foram alcançados não por um fator isolado, mas por um conjunto deles.

Principais conclusões da pesquisa

Todas as redes de ensino analisadas atribuíram ao resultado do Ideb 2005 parte do seu progresso em 2007. A partir do Índice de 2005, os municípios se organizaram para enfrentar a realidade e transformá-la e melhorar a educação em suas escolas.

Em 24 dos 26 municípios analisados, a formação dos professores foi considerada um dos fatores mais importantes para o sucesso das redes. Os municípios com melhores resultados apresentaram taxas superiores a 80% dos professores graduados.

Como a escola de tempo integral ainda é uma realidade muito distante para a grande maioria dos municípios, mais de 70% das redes pesquisadas têm adotado, como alternativa, atividades de apoio pedagógico como o reforço escolar.

No que diz respeito ao ambiente de aprendizagem, dos fatores identificados como mais representativos pela pesquisa, dois estão relacionados diretamente aos professores. O perfil dos profissionais foi apontado como fator de avanço em 10 municípios, e em outros 12, como condição favorável à melhoria do Ideb.

Já a existência de um ambiente propício à colaboração e à troca de experiências foi mencionado como fator de avanço em seis dos municípios pesquisados e como condição favorável em 11 deles – o que corresponde a 66% da amostra.

O relacionamento entre família e escola também está em pauta em praticamente todos os municípios analisados.

Como nos estudos anteriores, as redes de ensino que participaram da pesquisa não creditaram seus avanços a fórmulas complexas. Possivelmente, muitos dos caminhos encontrados estão sendo percorridos por outros municípios do País. Para inspirar outras redes a dar passos cada vez mais largos em direção à garantia do direito de aprender, a publicação traz ainda diversos quadros intitulados Na trilha das boas práticas, com experiências pontuais que, de acordo com os entrevistados, contribuíram para os avanços nos municípios analisados.

Leia mais sobre a pesquisa no site do UNICEF: http://www.unicef.org.br