IBGE compartilha tecnologia em coleta de dados com países africanos, em parceria apoiada pelo UNFPA

Iniciativa vai criar centros de referência para a coleta digital de dados em Cabo Verde, Senegal e na África do Sul. A expectativa é de que, uma vez dominada a tecnologia, os institutos nacionais de estatística destes países poderão compartilhar o aprendizado com outras nações do continente africano.

Da esquerda para a direita, o presidente do Instituto Nacional de Estatísticas de Cabo Verde, António dos Reis Duarte, o representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, o embaixador Antônio Patriota, o diretor-geral da Agência Nacional de Estatística e Demografia do Senegal, Aboubacar Sedikh Beye, a presidenta do IBGE, Wasmalia Bivar, o diretor da Divisão Técnica do UNFPA, Benoit Kalasa e o diretor-geral adjunto do Instituto de Estatísticas da África do Sul, Risenga Maluleke. Foto: Missão Permanente do Brasil na ONU

Da esquerda para a direita, o presidente do Instituto Nacional de Estatísticas de Cabo Verde, António dos Reis Duarte, o representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, o embaixador Antônio Patriota, o diretor-geral da Agência Nacional de Estatística e Demografia do Senegal, Aboubacar Sedikh Beye, a presidenta do IBGE, Wasmalia Bivar, o diretor da Divisão Técnica do UNFPA, Benoit Kalasa e o diretor-geral adjunto do Instituto de Estatísticas da África do Sul, Risenga Maluleke. Foto: Missão Permanente do Brasil na ONU

Na semana passada (10), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) firmou uma parceria com os governos de Cabo Verde, Senegal e África do Sul, onde serão criados centros especializados na realização de censos através da coleta digital de dados. A iniciativa de cooperação sul-sul conta com o apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Com o projeto, os institutos de estatística dos três países africanos receberão tecnologias e capacitação fornecidas pelo IBGE, que se tornou uma referência mundial após realizar, em 2010, o primeiro censo de população e habitação totalmente digital.

O objetivo da nova parceria entre o Brasil e os três Estados africanos é transformar seus organismos nacionais de estatística em instituições de referência que poderão, posteriormente, compartilhar as metodologias de coleta eletrônica de dados, elaboradas pelo IBGE, com outras nações da África.

A expectativa é de que a cooperação consiga beneficiar pelo menos 18 países do continente que planejem realizar censos nos próximos anos. “Dados coletados através de censos são cruciais para o desenho de políticas públicas”, disse o representante permanente do Brasil junto à ONU, o embaixador Antonio Patriota, durante o evento onde foi firmada a parceria.

Segundo o diplomata, recolher informações censitárias é um desafio considerável para todos os países, especialmente para os em desenvolvimento. “O UNFPA tem sido um parceiro fundamental (do governo brasileiro) para a cooperação sul-sul”, ressaltou.

“Quando fizemos nosso censo de 2002, levamos três anos para publicar os resultados. Em 2013, com a ajuda do Brasil, levamos apenas nove meses”, explicou o diretor-geral da Agência Nacional de Estatística e Demografia do Senegal (ANSD), Aboubacar Sedikh Beye. Na África, “não é raro ver países levarem cinco anos para publicarem os resultados de seus censos, o que é inaceitável. Não podemos permitir que isso continue”, afirmou.

Para o diretor-geral adjunto do Instituto de Estatísticas da África do Sul, Risenga Maluleke, “o desafio para (a rodada de censos) 2020 é a tecnologia”.

“Temos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a África tem a Agenda 2063. Então, a hora (de investir na coleta digital de dados) é agora, com os assistentes pessoais digitais (PDAs), smartphones e a parceria que estamos iniciando”, disse.

A presidenta do IBGE, Wasmalia Bivar, considerou o projeto “revolucionário” e agradeceu ao representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, pela parceria histórica entre a agência da ONU e o Instituto brasileiro, “não apenas para a realização dos censos nacionais, mas também para as iniciativas na região e fora da América Latina”.

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O diretor da Divisão Técnica do UNFPA, Benoit Kalasa, destacou que “os censos são a espinha dorsal dos sistemas estatísticos nacionais, e, portanto, fundamentais para o alcance dos ODS e da Agenda 2063 da União Africana”.

“O uso de metodologias e ferramentas de ponta pode reduzir as diferenças para muitos países da África e de outros lugares e levá-los para o próximo nível em termos de qualidade e disponibilidade de dados”, disse.

Os benefícios das novas tecnologias incluem melhorias na qualidade e atualidade dos dados e a redução de custos durante a coleta, processamento, análise e divulgação das informações. “Para que isso ocorra, contudo, é preciso enfrentar os desafios em termos de recursos humanos, capacitação e infraestrutura, o que poderá ser alcançado com os centros de referência”, concluiu.