Horrorizado com ataques aéreos na Síria, chefe humanitário da ONU apela por proteção dos civis

Em coletiva de imprensa após visita ao país, o subsecretário-geral da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários condenou o ataque em Douma, que deixou mais de 100 mortos e um grande número de feridos.

Chefe humanitário da ONU, Stephen O’Brien, durante visita à cidade de Homs, na Síria. Foto: OCHA

Chefe humanitário da ONU, Stephen O’Brien, durante visita à cidade de Homs, na Síria. Foto: OCHA

Os ataques aéreos em Douma, Síria, no último domingo (16), horrorizaram o subsecretário-geral da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Stephen O’Brien, que acaba de concluir uma visita de três dias ao país. Ele ainda alertou sobre os impactos do conflito prolongado no país, que afetam severamente não só a vida de milhões de pessoas, mas também ameaçam a estabilidade de toda a região e além de suas fronteiras.

O’Brien reiterou que “ataques contra civis são ilegais, inaceitáveis e devem parar. Estou particularmente chocado com as notícias de ataques aéreos do último domingo, causando grande número de mortes e centenas de feridos, no centro de Douma, uma área sitiada de Damasco. Eu estou horrorizado com o total desrespeito pela vida dos civis nesse conflito e apelo a todos e a cada parte para protegê-los e respeitar o direito internacional humanitário”.

“Em Homs eu vi com meus próprios olhos o sofrimento humano incalculável. Na Cidade Antiga eu vi a destruição completa de quase todas as casas, para além do qual se encontra a destruição de vidas. Por trás de cada janela das casas destruídas, devemos nos lembrar que existiam pessoas cujas vidas foram destruídas, como a família de Ahmed, que eu conheci e ouvi sua história angustiante em meio a toda essa violência e destruição”, afirmou O’Brien, durante coletiva de imprensa.

Na ocasião, ele destacou que civis têm suportado o peso deste conflito há mais de quatro anos, com mais de 220 mil pessoas mortas, mais de um milhão de feridos e quase metade da população deslocada. O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, adicionou que forças armadas não estatais cortaram o serviço de água nos últimos três dias, afetando ao menos 5 milhões de pessoas em Damasco. Segundo ele, esta violação ocorre frequentemente em outras partes do país.