Hora de acabar com represálias contra defensores em programas de TV na Venezuela, diz ONU

Especialistas das Nações Unidas deploraram as tentativas de desacreditar e intimidar os defensores dos direitos humanos na televisão controlada pelo governo venezuelano.

Protesto ocorrido no início de 2014 na Venezuela. Foto: EBC

Protesto ocorrido no início de 2014 na Venezuela. Foto: EBC

Um grupo de especialistas em diretos humanos interamericanos e das Nações Unidas deplorou nesta quarta-feira (22) as tentativas de desacreditar e intimidar os defensores dos direitos humanos na televisão controlada pelo Estado da Venezuela, em represália por suas atividades de direitos humanos e de cooperação com a ONU e organismos regionais de direitos humanos.

“É chegada a hora de acabar com este assédio vergonhoso e televisionado a ativistas de direitos na Venezuela”, disseram os especialistas. “Nós condenamos o que se tornou um padrão claro para intimidar e difamar defensores dos direitos humanos por meramente promover os direitos humanos no seu país e por se envolver com organismos de direitos humanos internacionais e regionais.”

Os especialistas chamaram a atenção para o fato dos defensores dos direitos humanos serem alvos sistemáticos do programa de TV semanal “Con el Mazo Dando”, transmitido pela rede estatal Venezolana de Televisión, incluindo publicação de informações pessoais em seu site. O programa é oferecido pelo Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, que vai ao ar para fazer acusações contra ativistas de direitos humanos e organizações da sociedade civil com o objetivo aparente de intimidá-los.

Os especialistas lembraram que a ONU e os organismos interamericanos de direitos humanos são cobrados para monitorar a implementação por parte da Venezuela de suas obrigações internacionais e regionais de direitos humanos, e, como tal, o governo é obrigado a respeitar e defender a participação de ativistas de direitos no âmbito desse processo. “Qualquer ato para impedir tal envolvimento, seja no ar ou fora dele, viola frontalmente o direito internacional dos direitos humanos”, eles destacaram.