‘Hoje é um dia de esperança frágil, mas real’, diz chefe da ONU durante conferência de paz da Síria

Ban Ki-moon destacou que, pela primeira vez, o governo e a oposição da Síria, os países da região e uma ampla representação da comunidade internacional estão reunidos “para buscar uma solução política”.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a conferência Genebra II. Foto: ONU

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a conferência Genebra II. Foto: ONU

“Depois de quase três dolorosos anos de conflito e sofrimento na Síria, hoje é um dia de esperança frágil, mas real”, afirmou nesta quarta-feira (22) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na cidade suíça de Montreux, onde teve início a conferência conhecida como Genebra II, que reúne governo e membros da oposição para tentar chegar a uma solução política para o conflito na Síria.

Ban destacou que, pela primeira vez, o governo e a oposição da Síria, os países da região e uma ampla representação da comunidade internacional estão reunidos “para buscar uma solução política para a morte, a destruição e o deslocamento que são hoje a realidade terrível da vida na Síria”.

“Todos os sírios, e todos na região afetada por esta crise, estão olhando para vocês aqui reunidos para acabar com o sofrimento humano indescritível, para salvar o rico mosaico social da Síria, e iniciar um processo político significativo para alcançar uma transição liderada por sírios – uma visão proposta um ano e meio atrás no Comunicado de Genebra e endossada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”, afirmou.

Mais de 100 mil pessoas já foram mortas e um grande número de pessoas desaparecidas ou detidas. Os ataques contra civis continuam e, segundo lembrou o secretário-geral, todos os lados têm mostrado “uma total indiferença com suas responsabilidades sob o Direito Internacional Humanitário e os Direitos Humanos”.

Além disso, mais de 6,5 milhões de pessoas estão deslocadas internamente. Mais de 9,3 milhões de pessoas na Síria precisam de ajuda humanitária, com mais de 2,5 milhões delas vivendo em áreas onde o acesso humanitário está seriamente limitado – e muitas ainda não foram alcançadas.

Desde o início da crise, a ONU e suas agências, fundos e programas têm realizado um intenso esforço para alcançar as pessoas que precisam de assistência (saiba mais em www.onu.org.br/siria).

Ban lembrou ainda que a guerra obrigou mais de
2,3 milhões de pessoas – metade delas crianças – a fugir para países vizinhos e de outras regiões.
“Apesar da pressão excessiva, os vizinhos da Síria têm mostrado hospitalidade admiravelmente generosa”, afirmou ele.

A base das negociações de Genebra II é a plena implementação de um plano de ação adotado no chamado Comunicado de Genebra de 2012, que prevê um governo de transição, para organizar eleições livres e justas.

Os participantes também tentarão fazer acordos para a entrega de ajuda humanitária. A crise teve início em março de 2011, com conflitos entre o Governo e vários grupos que tentam derrubar o presidente Bashar al-Assad.