‘Histórico comprovado’ de sucessos do multilateralismo é foco de data especial na ONU

O Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz “destaca os valores da cooperação internacional para o bem comum”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas na quarta-feira (24), na primeira celebração da data.

Citando o direito internacional, os avanços em igualdade de gênero, a proteção ambiental e a limitação da proliferação de armas letais e doenças mortais, António Guterres afirmou que “o multilateralismo e a diplomacia têm um histórico comprovado de serviços às pessoas em todos os lugares”.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi estabelecida pelos países-membros da ONU no fim de 2015. Foto: ONU

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi adotada pelos países-membros da ONU no fim de 2015. Foto: ONU

O Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz “destaca os valores da cooperação internacional para o bem comum”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas na quarta-feira (24), na primeira celebração da data.

António Guterres destacou que, por quase 75 anos, acordos multilaterais criados após a Segunda Guerra Mundial “salvaram vidas, expandiram progressos econômicos e sociais, apoiaram direitos humanos e, não menos importante, ajudaram a prevenir uma terceira queda à conflagração global”.

Citando o direito internacional, os avanços em igualdade de gênero, a proteção ambiental e a limitação da proliferação de armas letais e doenças mortais, Guterres afirmou que “o multilateralismo e a diplomacia têm um histórico comprovado de serviços às pessoas em todos os lugares”.

Como o multilateralismo e a cooperação internacional estão escorados na Carta da ONU e na Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável, é fundamental preservar seus valores para promover e apoiar os três pilares das Nações Unidas: paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos.

Atualmente, no entanto, o multilateralismo está sob pressão de “conflitos não resolvidos, mudança climática desenfreada, desigualdades crescentes e outras ameaças”, lamentou Guterres.

Embora novas tecnologias estejam criando oportunidades, elas podem possivelmente perturbar “mercados de trabalho, a coesão social e o desfrute de nossos direitos”, afirmou o chefe da ONU.

“Estamos vivendo um paradoxo: desafios globais estão mais conectados, mas nossas respostas estão ficando mais fragmentadas”, resumiu.

Guterres também afirmou que o crescente “déficit de confiança” em governos, em padrões políticos e em organizações internacionais, junto às vozes nacionalistas e populistas que “demonizam e dividem”, são “muito perigosos”. Ele pediu uma “ação coletiva” para enfrentar estes desafios.

O secretário-geral destacou que proclamar a virtude do multilateralismo não é suficiente, “precisamos provar seu valor agregado”.

Além disso, céticos não podem ser descartados, mas ao invés disso “precisamos mostrar que o multilateralismo pode responder às ansiedades globais e entregar uma globalização justa que levante todos”.

“Fortalecer o multilateralismo significa fortalecer nosso comprometimento de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um mundo mais seguro e mais justo para gerações futuras”, afirmou.

Equilibrar a balança

O Dia foi celebrado com um encontro de alto nível no salão da Assembleia Geral, onde a presidente María Fernanda Espinosa, em discurso de abertura, ecoou as afirmações de Guterres, destacando os desafios ao multilateralismo.

Ela destacou que, para reconstruir confiança no multilateralismo, não podemos “excluir aqueles para quem nós trabalhamos, aqueles que, junto a nós, podem fornecer soluções e assumir compromissos”.

“Levar a ONU para mais perto das pessoas e as pessoas à ONU” só pode ser feito se nos comunicarmos melhor com as pessoas de “fora deste prédio”.

Espinosa destacou o legado do multilateralismo e da diplomacia para a paz, ressaltando as contribuições da ONU para tornar o mundo “um lugar mais seguro, mais rico e mais justo, com oportunidades melhores para todos”.

A presidente da Assembleia Geral também rebateu a falsa ideia de que o multilateralismo enfraquece a soberania de Estados, “quando, na verdade, ele reforça isto”.

“Para alcançar e manter paz e desenvolvimento sustentável, o multilateralismo não é só a maneira mais eficaz, mas a única maneira possível.”